
(by Mel©)

Legislação Direitos Autorais - Lei nº 9.610
Informações - Opiniões

(by Mel©)

Legislação Direitos Autorais - Lei nº 9.610
No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Terminado por um louco!
¡oɔnoן ɯn ɹod opɐuıɯɹǝʇ
˙˙˙ɐçuɐıɹɔ ǝp oɥuǝsǝp ɯn
¿áɹɐʇsǝɹ ǝnb 'ןɐuıɟ ou
'ɐçuɐɥןǝɯǝs ɐuɹǝʇǝ ɐɥuıɯ
- oɔnod ɐ oɔnod -
oɔsnq ǝnb ɯǝ 'ɐpıן ɐʇsǝp 'ǝ
˙˙˙oãɹıʇsıxǝ ɐıp ɯn ǝnb sɐɯ
ɯǝʇsıxǝ oãu ǝnb sɐsıoɔ no
˙˙˙ɐçuɐɹqɯǝן sıɐɯ áɥ ɯǝu ǝnb ǝp
sɐsıoɔ oʇuıd ǝɯ sǝzǝʌ sà
˙˙˙ǝɹoʌɹá oʇuıd ǝɯ sǝzǝʌ sà
'ɯǝʌnu oʇuıd ǝɯ sǝzǝʌ sà
- oçɐɹʇ ɐ oçɐɹʇ -
oçɐɟ ǝɯ ǝnb oʇɐɹʇǝɹ ou
(ɐuɐʇuınb oıɹáɯ)
oʇɐɹʇǝɹ-oʇnɐ o
- FlipText -
Neste 1° de novembro, o presidente da República prometeu que só se pronunciaria sobre algum assunto se Dilma Rousseff pedisse. Em homenagem à sucessora, passaria a agir com a discrição recomendável a chefes de governo em fim de mandato. Antes que a segunda-feira terminasse, comentou o resultado da disputa presidencial, elogiou Dilma, atacou José Serra, declarou que a mulher brasileira é tratada de modo preconceituoso pela oposição, sugeriu a permanência de Henrique Meirelles no Banco Central e de Guido Mantega no Ministério da Fazenda.
No dia seguinte, depois de mais elogios a Dilma, recomendou-lhe que mantivesse Nelson Jobim no Ministério da Defesa e Fernando Haddad no Ministério da Educação, disse como deve ser feito o ajuste fiscal e afirmou que Serra saiu da campanha menor do que entrou. Na dia 3, festejou a maioria governista no Congresso, desdenhou da minoria e repreendeu, de novo sem identificar os invejosos profissionais e os traidores da pátria, “essa gente que torce ontra o Brasil e contra o governo do torneiro-mecânico”.
Ainda na quarta-feira, comentou o teste de escrita e leitura a que será submetido o companheiro Tiririca, ressaltou a necessidade de uma reforma tributária, defendeu a ressurreição do imposto do cheque, analisou o sistema de saúde, fez observações sobre a profissão de jornalista, queixou-se do tratamento que lhe foi dispensado pela oposição e ensinou que Dilma merece ser tratada com mais polidez.
Um chefe de Estado de paragens civilizadas demoraria pelo menos três anos para examinar com seriedade um buquê de nomes e assuntos tão vasto e diversificado. O presidente mais falante da história precisou de apenas três dias para liquidar a pauta, numa discurseira tão rasa que, na imagem de Nelson Rodrigues, uma formiga poderia atravessá-la com água pelas canelas. É assim há oito anos. E assim será até 1° de janeiro de 2011.
Para os brasileiros que não tiveram a lucidez confiscada pela Era da Mediocridade, o palavrório diário é mais aflitivo que o barulho produzido por 500 caças a jato, 5.000 britadeiras, 50.000 vuvuzelas, 500.000 bebês berrando ao mesmo tempo. Apaixonado pela própria voz, excitado pelos aplausos das plateias amestradas, Lula tem algo a dizer sobre tudo, do amigo atômico Mahmoud Ahmadinejad à escalação do Corinthians, da crise do Oriente Médio à própria vida conjugal. Só emudece por algumas horas quando um escândalo cai na boca do povo ou cai um avião na pista de Congonhas.
Daqui a 57 dias, Lula aprenderá que o país subserviente com chefes de governo sabe ser cruel com quem deixou o cargo. Um acesso de tosse do presidente é candidato a manchete. Um ex-presidente só conseguirá aparecer no jornal em edições sucessivas se virar serial killer de filme americano e matar um eleitor por dia. Dilma Rousseff pode até informar no discurso de posse que, a partir daquele momento, todos os brasileiros se tornaram bilionários. Não será mais aplaudida que o ponto final do falatório de despedida. Milhões de tímpanos exaustos poderão comemorar o sumiço do flagelo sonoro.
A voz roufenha e incontrolável só terá um microfone permanentemente por perto se Lula virar leiloeiro ou camelô. Será a melhor notícia de 2011.
