terça-feira, 27 de novembro de 2012

Situação delicada, por Merval Pereira

27/11/2012
Situação delicada
por Merval Pereira - em O Globo

A presidente Dilma fica em situação muito delicada toda vez que acontece um caso de corrupção no seu governo. Toma a decisão de demitir os envolvidos, passa a ideia ao grande público, por informações de anônimos assessores, de que não tem nada a ver com aquilo, que as pessoas foram nomeadas a pedido de Lula, a quem não poderia deixar de atender, mas que não tolera corrupção e, quando descobre, coloca fora do governo o acusado.

Isso dá a ela uma boa margem de manobra, especialmente diante da classe média que está conquistando com decisões aparentemente independentes. E creio mesmo que o próprio ex-presidente Lula aceita essa situação avaliando os ganhos políticos que ela traz para a presidente.

A questão é até quando ela conseguirá permanecer nessa posição, tirando todo o proveito da proximidade de Lula e, ao mesmo tempo, vendendo imagem de autonomia em relação a ele.

Já não está sendo possível aceitar que tudo de ruim que acontece seja culpa do antecessor, mesmo que ela não explicite essa acusação, apenas a insinue.

E negue oficialmente quando, a exemplo do ex-presidente Fernando Henrique, tentam explicar os fracassos de seu governo com suposta “herança maldita”.

Afinal, Dilma já está na segunda metade de seu governo, foi a responsável pela nomeação de todos os ministros que já demitiu por suspeita de corrupção — e, por sinal, nada aconteceu a nenhum deles em termos concretos — e até mesmo essa chefe do gabinete da Presidência em SP, Rosemary Noronha, foi nomeada por Dilma quando era chefe da Casa Civil, e mantida no cargo a pedido de Lula.

Sabe-se agora que o gabinete da Presidência em SP era um segundo escritório de Lula, fora do Instituto Cidadania, e por isso mesmo ele teve inusitada agitação este ano, com inúmeras reuniões de Dilma e Lula.

Até que ponto a presidente tem condições de autonomia em relação a um pedido de Lula? Até que ponto seu governo tem mecanismos para detectar desvios como os que dominaram vários ministérios no início de seu governo e agora dominam o gabinete presidencial e o segundo nome da Advocacia Geral da União?

Está ficando cada vez mais próximo o momento em que não será mais possível isentar Dilma de erros que sucessivamente acontecem. Fica a cada dia mais difícil para ela se isentar de “malfeitos” após estar no governo mais de dois anos.

As andanças da ex-ministra Erenice Guerra em órgãos oficiais e a proteção ao ministro Fernando Pimentel, a ponto de alterar o Conselho de Ética da Presidência, apontam para leniência com amigos.

Sempre que precisa, ou é exigido dela, dar demonstração de lealdade, ela dá, até entrar de corpo e alma na campanha municipal, que afirmara que não faria. Foi a todos os palanques que Lula via como estratégicos, articulou a candidatura de Patrus Ananias em BH e foi às raias da grosseria quando achou que precisava marcar posição, caso da disputa em Salvador, quando acabou ajudando ACM Neto ao fazer insinuações sobre sua estatura no palanque de Nelson Pellegrino.

Não creio que dê para ela ficar em cima do muro muito tempo mais; é difícil se desvincular, como é difícil Lula se desvincular do mensalão, ou do escândalo mais recente com pessoa muito ligada a ele envolvida. Dizer pela enésima vez que foi “esfaqueado pelas costas”, então, se torna patético.

Nenhum dos escândalos que estouraram foi detectado pelos órgãos de investigação, todos foram decorrência de denúncias da grande imprensa ou delação premiada. Mais uma vez a Presidência como instituição se vê envolvida em escândalos, gerados a partir de funcionários de confiança, nesse caso escolhidos com requintes que mostram intenção de nomear determinadas pessoas para os cargos determinados.

O diretor da Agência Nacional de Águas, Paulo Vieira, teve padrinhos poderosos: Rosemary convenceu Lula e o ex-ministro José Dirceu, com quem trabalhara por 12 anos, a bancá-lo. Foi rejeitado duas vezes pelo Senado, mas o Planalto insistiu e uma manobra o aprovou.

O então ministro Carlos Minc (PT) disse que sabia-se que o indicado “navegava em águas turvas”.

Também o segundo homem da AGU só foi nomeado por insistência de Luis Inácio Adams, candidato de Lula ao STF. 


São coincidências demais. Uma maneira de demonstrar real disposição de combater a corrupção seria passar um pente-fino nas nomeações para cargos estratégicos.

O dono do escândalo

27/11/2012
O dono do escândalo
Editorial - O Estado de S.Paulo 

Recém-desembarcado de um voo decerto turbulento para ele, depois de uma viagem à África e à Índia, o ex-presidente Lula teria dito a pessoas de sua confiança que se sentia "apunhalado pelas costas" por outra pessoa de sua confiança, a então chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, a Rose. Secretária do companheiro José Dirceu durante 12 anos, da década de 1990 até a ascensão do PT ao Planalto, Lula a empregou na representação do governo federal na capital paulista. Dois anos depois, em 2005, entregou-lhe a chefia da repartição. Na sexta-feira passada, ela e José Weber Holanda, o sub do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, foram indiciados pela Polícia Federal (PF), no curso da Operação Porto Seguro, pela participação em um esquema de venda de facilidades instalado em sete órgãos federais.
O indiciamento alcançou 11 outros ocupantes de cargos públicos, além do notório ex-senador Gilberto Miranda. Cinco pessoas foram presas, entre as quais três irmãos, o empresário Marcelo Rodrigues Vieira, um diretor da agência reguladora da aviação civil (Anac), Rubens Carlos Vieira, e outro da agência de águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira - ambos patrocinados pela amiga de Lula. A PF devassou o apartamento de Rose e o gabinete de Holanda. No dia seguinte, a presidente Dilma Rousseff afastou de suas funções os diretores das agências (tendo mandato aprovado pelo Senado, eles não podem ser demitidos sumariamente) e mandou abrir processo disciplinar contra eles. O caso da nomeação de Paulo Rodrigues, tido como chefe da gangue e também chegado a Lula e a Dirceu, é um capítulo de livro de texto sobre a esbórnia no Estado sob o governo petista e a serventia de seus aliados nos altos círculos do poder nacional.
Submetida ao Senado, como requerido, a indicação começou mal e seguiu pior. A primeira votação terminou empatada. Na segunda, o nome foi rejeitado por um voto de diferença. Se os mandachuvas da República se pautassem pela decência, a história terminaria por aí. Não terminou porque, contrariando até mesmo um parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, o seu presidente José Sarney ordenou uma terceira votação da qual o afilhado de Rose saiu vencedor por confortável maioria. A essa altura, 2010, estava para mudar a sorte da madrinha - cuja influência derivava diretamente de sua intimidade com Lula, a quem, aliás, acompanhava nas viagens ao exterior, não se sabe bem para fazer o que. Eleita Dilma, que só a manteria no posto em São Paulo para não criar caso com o padrinho, Rose tentou em vão conseguir uma boquinha em Brasília. O imponderável fez o resto.
Em um dia de março do ano passado, um servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) procurou a Polícia Federal para se confessar. Contou que aceitara uma propina de R$ 300 mil, dos quais já havia recebido um adiantamento de R$ 100 mil, para produzir um parecer técnico sob medida para uma empresa que atua no Porto de Santos. Além disso, Paulo Rodrigues Vieira falsificou um documento acadêmico para beneficiar o funcionário. Mas este se arrependeu, devolveu o dinheiro e revelou aos federais o que sabia. A PF abriu inquérito, obteve autorização judicial para grampear telefonemas e interceptar e-mails. Do material, emergiu uma Rose que lembra a personagem do samba de Chico Buarque que pedia apenas "uma coisa à toa" - no caso, um cruzeiro de Santos a Ilha Grande animado por uma dupla sertaneja, um serviço de marcenaria, uma pequena operação… Claro que ela também empregou uma filha na Anac e o marido na Infraero. Tinha fama de mandona e jeito de alpinista social.
Mas o dono do escândalo é quem deu a Rose o aparentemente inexplicável poder de que desfrutava, a ponto de o Senado de Sarney inovar em matéria de homologação de um futuro diretor de agência reguladora. Ao se declarar "apunhalado pelas costas", Lula faz como fez quando o mensalão veio à tona, e ele, fingindo ignorar a lambança, se disse "traído". Resta saber se, desta vez, tornará a repetir mais adiante que tudo não passou de uma "farsa" - quem sabe, uma conspiração da Polícia Federal com a mídia conservadora, a que a sua sucessora no Planalto afinal sucumbiu.

domingo, 25 de novembro de 2012

FIM da Seca: Nordeste irrigado


FIM da Seca: Nordeste irrigado

Chega a ser CRIMINOSA a falta de competência dos governos - TODOS (estaduais e, principalmente, Federal) - que até hoje não criaram uma política eficaz e compromissada em investir, com verdadeiro interesse a RESULTADOS, contra as agruras da seca nordestina.

Para os 'donos do pudê' é mais 'rentável' trocar água por voto, comprando uma população carente, desinformada e abandonada, em prejuízo destes últimos.

Nordeste TEM água subterrânea em abundância.

Basta investir na ampliação de perfuração de poços e montar uma estrutura de distribuição e abastecimento adequada. 

Com "produção" de água e geração de energia a baixo custo (energia solar), o Nordeste poderia não apenas 'sobreviver' como CRESCER e se DESENVOLVER. 

Tecnologia, para isso, não falta. Falta vontade política!

Perfurados poços,  investindo-se em irrigação mecânica - hoje em dia perfeitamente viável a baixo/médio custo -, o Nordeste poderia transformar-se no MAIOR POMAR do Brasil.

Para o plantio de alimentos, principalmente frutas, o importante é ter SOL em abundância - que o Nordeste tem de sobra - e irrigação adequada e contínua - a ser suprida pela artificial, provinda de poços artesianos - nos meses de seca.

Além do fim da seca, ampliariam-se, desta forma, os investimentos em produção de alimentosgeração de energia barata (solar) e melhora de vida para a população, acarretando, ainda, o aumento da geração de empregos e do interesse empresarial em indústrias alimentícias para abastecer os mercados interno, nacional e internacional

Um avanço econômico desejável e NECESSÁRIO a estados debilitados pela escassez de recursos e oportunidades.

Aqui no RS (mesmo o estado tendo chuva abundante - e até em excesso, com ventos, tempestades e granizo que dificultam e prejudicam a produção agrícola) a irrigação artificial vem sendo utilizada, cada vez mais e com eficiência, nas épocas de seca.

Para o NE, existe um projeto do Prof Luis Carlos Molion (CV Lattes) -  físico, especialista em climatologia e hidrologia -  com planejamento para transformar o Nordeste em uma 'Califórnia Brasileira'.

A Califórnia, que era praticamente um deserto - com clima similar ao NE -, é, hoje em dia, o maior produtor de uvas (e vinhos) e frutas cítricas dos EUA, graças à irrigação artificial.

Sugiro ao pessoal do NE que entre em contato com o professor Molion para conhecer, em mais detalhes - e apoiar e cobrar das autoridades - , o projeto,  por ele elaborado, para o Nordeste.

Como comentei antes, tudo sempre e ainda (até quando?) depende - pela falta da vergonha na cara de oportunistas - da 'vontade política'...

Tivéssemos atuação e ação correta dos governantes - sem populismos, discursos vazios e promessas de projetos mirabolantes, nunca realizados -, dispostos a RESOLVER de FATO o problema, com investimentos planejados, operacionalizados dentro da realidade local, executados com firmeza e no curto prazo, finalmente, poderia-se beneficiar e transformar a vida dos 'sertanejos', há décadas tão sofrida, em um existência digna, produtiva e de qualidade.

A solução existe.
Cobre-se !!!
(by Mel)                    

domingo, 11 de novembro de 2012

'A salsa cubana do covarde sem caráter'

Reynaldo-BH sobre Dirceu e o Supremo: `A salsa cubana do covarde sem caráter'

"Esta tentativa – hoje isolada – de Dirceu parece dar razão a Lula quando definiu o condenado pela chefia da quadrilha, em tempos passados: “José Dirceu não tem amigos. Ele só pensa nele!”.
Dirceu tenta criar um clima de desmoralização do Poder Judiciário na tentativa desesperada de criar um fato político que dê margem – delirante – de se autodeclarar “prisioneiro político”. Como já disse antes, prisioneiro do governo do PT.
Mas, ele só pensa nele…"
Leia íntegra aqui

Algemas neles!

Respondo a mais um textículo 'cumpanhêru' ('Mostre as algemas, Zé', publicado aqui), entre alguns que recebo por email, com estapafúrdias alegações em defesa do quadrilheiro CONDENADO Dirceu. Eles estão alvoroçados...



Pedro Caroço (apelido que ganhou, à época de sua vida clandestina pós-plástica,  por passar as horas no bar - em frente à 'boutique dela' - bebendo e comendo azeitonas, enquanto a pobre mulher, que ele enganou e depois abandonou, com filho e tudo, trabalhava para sustentá-lo) sempre agiu como um covarde. 

Chega a ser risível ver um bando de ignorantes - alguns nem tanto - a defender um Zé Ninguém que foi absolutamente IRRELEVANTE para a democracia, que sempre fugiu de qualquer confronto ou 'perigo' e até recentemente conspirava, em reuniões nada republicanas,  esgueirando-se em corredores de hotéis.

Uma QUADRILHA agiu como uma CAMORRA, ROUBOU (e ainda rouba) dinheiro público e tentou FRAUDAR (e ainda não desistiu) a DEMOCRACIA.

Outros comparsas já foram jogados ao mar, Delúbio até foi escolhido como 'boi de piranha oficial do petismo'.

Tentam apenas salvar o sub-chefão Dirça  (o Capo de tutti capi ficou de fora do processo, por enquanto) da punição pelos CRIMES que COMPROVADAMENTE cometeu, utilizando-se de artigos plantados, com conversê mentiroso, forjando um mito inexistente, com uma retórica capenga à 'jus esperneandis'.

O STF julgou, transparente e democraticamente, em um processo rigorosamente respeitoso às LEIS e às provas dos autos, como TODOS puderam acompanhar até pela TV, dando aos réus - hoje justamente condenados - amplo direito de defesa.

Mimimi de bandido e xororô de seus acólitos, além de inócuos, são inaceitáveis.... 
Tomem vergonha na cara!!!

Mostre as algemas, sim! 
Mostre que o BRASIL DECENTE quer ver essa CORJA ENJAULADA!

Perdeu, Dirça! Perdeu, Lula! Perdeu, PT!

Algemas e CADEIA neles todos!!!


Tempos sombrios, tempos petistas


Estadão - 11 de novembro de 2012 

Tempos sombrios, tempos petistas


Luiz Inácio Lula da Silva está calado. O que é bom, muito bom. Não mais repetiu que o mensalão foi uma farsa. Também, pudera, após mais de três meses de julgamento público, transmitido pela televisão, com ampla cobertura da imprensa, mais de 50 mil páginas do processo armazenadas em 225 volumes e a condenação de 25 réus, continuar negando a existência da "sofisticada organização criminosa", de acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seria o caso de examinar o ex-presidente. Mesmo com a condenação dos seus companheiros - um deles, o seu braço direito no governo, José Dirceu, o "capitão do time", como dizia -, aparenta certa tranquilidade.
Como disse o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula é "um sujeito safo". É esperto, sagaz. Conseguiu manter o mandato, em 2005, quando em qualquer país politicamente sério um processo de impeachment deveria ter sido aberto. Foi uma manobra de mestre. Mas nada supera ter passado ao largo da Ação Penal 470, feito digno de um Pedro Malasartes do século 21.
Mas se o silêncio público (momentâneo?) de Lula é sempre bem visto, o mesmo não pode ser dito das articulações que promove nos bastidores. Uma delas foi o conselho para que Dilma Rousseff não comparecesse à posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF. Ainda bem que o bom senso vigorou e ela vai ao ato, pois é presidente da República, e não somente dos petistas. O artífice de diversas derrotas petistas na última eleição (Recife, Belo Horizonte e Campinas são apenas alguns exemplos) continua pressionando a presidente pela nomeação de um "ministro companheiro" na vaga aberta pela aposentadoria de Carlos Ayres Brito. E deve, neste caso, ser obedecido.
O ex-presidente quer se vingar do resultado do julgamento do mensalão. Nunca aceitou os limites constitucionais. Considera-se vítima, por incrível que pareça, de uma conspiração organizada por seus adversários. Acha que tribunal é partido político. Declarou recentemente que as urnas teriam inocentado os quadrilheiros. Como se urna fosse toga. Nesse papel tem apoio entusiástico do quarteto petista condenado por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Eles continuam escrevendo, dando entrevistas, participando de festas e eventos públicos, como se nada tivesse acontecido. Ou melhor, como se tivessem sido absolvidos.
O que os petistas chamam de resistência não passa de um movimento orquestrado de escárnio da Justiça. José Dirceu, considerado o chefe da quadrilha por Roberto Gurgel, tem o desplante de querer polemizar com o ministro Joaquim Barbosa, criticando seu trabalho. Como se ele e Barbosa estivessem no mesmo patamar: um não fosse condenado por corrupção ativa (nove vezes) e formação de quadrilha e o outro, o relator do processo e que vai assumir a presidência da Suprema Corte. Pior é que a imprensa cede espaço ao condenado como se ele - vejam a inversão de valores da nossa pobre República - fosse uma espécie de reserva moral da Nação. Chegou até a propor o financiamento público de campanha. Mas os petistas já não o tinham adotado?
Outro condenado, João Paulo Cunha, foi recebido com abraços, tapinhas nas costas e declarações de solidariedade pelos colegas na Câmara dos Deputados. Já José Genoino pretende assumir a cadeira de deputado assim que abrir a vaga. E como o que é ruim pode piorar, Marco Maia, presidente da Câmara, afirmou que a perda de mandato dos dois condenados é assunto que deve ser resolvido pela Casa, novamente desprezando a Constituição.
O julgamento do mensalão desnudou o Partido dos Trabalhadores (PT). Sua liderança assaltou o Estado sem pudor. Como propriedade do partido. Sem nenhum subterfúgio. Os petistas poderiam ter feito uma autocrítica diante do resultado do julgamento. Ledo engano. Nada aprenderam, como se fossem os novos Bourbons. Depois de semanas e semanas com o País ouvindo como seus dirigentes se utilizaram dos recursos públicos para fins partidários, na semana que passou Dilma (antes havia se reunido com o criador por três horas) recebeu no Palácio da Alvorada, residência oficial, para um lauto jantar, líderes do PT e do PMDB. A finalidade da reunião era um assunto de Estado? Não. Interessava apenas aos dois partidos. Fizeram uma analise das eleições municipais e traçaram planos para 2014. Ninguém, em sã consciência, é contrário a uma reunião desse tipo. O problema é que foi num prédio público e paga com dinheiro público. Imagine o leitor se tal fato ocorresse nos EUA ou na Europa. Seria um escândalo. Mas na terra descoberta por Cabral, cujas naus, logo vão dizer, tinham a estrela do PT nas velas, tudo pode. E quem protesta não passa de golpista.
Nesta República em frangalhos, resta esperar o resultado final do julgamento do mensalão. As penas devem ser exemplares. É o que o STF está sinalizando na dosimetria do núcleo publicitário. Mas a Corte sabe que não será tarefa nada fácil. O PT já está falando em controle social da mídia, nova denominação da "censura companheira". Não satisfeito, defende também o controle - observe o leitor que os petistas têm devoção pelo Estado todo-poderoso - do Judiciário (qual, para eles, deve ser a referência positiva: Cuba, Camboja ou Coreia do Norte?). Nesse ritmo, não causará estranheza o PT propor que a Praça dos Três Poderes, em Brasília, tenha somente dois edifícios... Afinal, "aquele" terceiro edifício, mais sóbrio, está criando muitos problemas.
O País aguarda o momento da definição das penas do núcleo político, especialmente do quarteto petista. Será um acerto de contas entre o golpismo e o Estado Democrático de Direito. Para o bem do Brasil, os golpistas mensaleiros perderam. Mais que perderam. Foram condenados. E serão presos.

sábado, 3 de novembro de 2012

Orfandade política

Desprezam os eleitores (jogaram 44 milhões de votos no lixo), mantêm um 'discurso' equivocado e não representam a ENORME quantidade de descontentes com os rumos da política.

Se insistirem no erro, continuarão a ser, apenas, uma oposicinha de merda...

03/11/2012

Orfandade política, por Ruy Fabiano

No início da campanha presidencial de 2010, o então senador Sérgio Guerra, numa entrevista à revista Veja, declarou que “o Serra está à esquerda do PT”.
Lula, antes, havia dito que o Brasil havia evoluído politicamente, pois todos os candidatos à presidência eram de esquerda. O fato de, na sua ótica, não haver na disputa nomes do campo conservador representava uma “evolução”.
Essa tem sido uma anomalia reincidente desde o início da redemocratização: considerar que a presença de forças conservadoras representa um retrocesso democrático.
É exatamente o contrário. O que caracteriza a democracia é a presença, com perspectiva de poder, de todas as forças que compõem o arco político-ideológico da sociedade. E a sociedade brasileira, segundo reiteradamente atestam todas as pesquisas comportamentais, é em grande parte conservadora.
Não é à toa que partidos e candidatos, no curso das campanhas eleitorais, cumprem um ritual coreográfico contrário às suas agendas doutrinárias, visitando igrejas, confraternizando com lideranças religiosas, participando de cultos aos quais são indiferentes ou mesmo profundamente críticos.
Trata-se de uma mimese dos candidatos com o único sentido de iludir o eleitor. Fingir que abraçam e defendem valores que, no entanto, abominam e contra os quais conspiram.
Por que o tema do aborto, nas eleições presidenciais, provocou tanto desconforto em Dilma Roussef? Simples: ela sabia que sua verdadeira opinião, gravada em vídeos que circulavam na internet, não correspondia à da maioria do eleitorado ao qual pedia votos. Foi preciso então que se manifestasse em sentido contrário, negando o que já afirmara reiteradas vezes.
Idem a questão do kit gay na campanha de Fernando Haddad, à prefeitura de São Paulo.
Tanto Dilma quanto Haddad sabem, pois conhecem as pesquisas, que a maioria do povo brasileiro é contra ambas as iniciativas. Não cabe aqui analisá-las.
Importa registrar que são repudiadas pela maioria da sociedade. Como não há voz partidária que se oponha a esses temas, os próprios mentores daquelas propostas incumbem-se de desmenti-las ao público, sem prejuízo de, depois de eleitos, as implementarem.
Em suma, a esquerda assume o discurso que, em circunstâncias normais, deveria caber aos conservadores.
O PSDB padece de uma esquizofrenia, que o tem levado a sucessivas derrotas: quer se opor ao PT com a mesma agenda do PT. Não conseguirá. O discurso de esquerda, no Brasil, já tem dono.
Os tucanos querem os votos conservadores, mas não ousam assumir, mesmo parcialmente, suas propostas, pelo temor – já uma paranoia – de vir a ser chamado de “direita”.
O resultado é que não ganham os votos da esquerda – hoje quase monopólio do PT – e deixam de ganhar votos no campo conservador. Em São Paulo, historicamente, um terço votava no PT, outro terço no PSDB e o terço restante decidia a eleição.
Celso Russomano, que chegou a ostentar mais de 45% nas pesquisas, perdeu porque não resistiu à desconstrução moral que tucanos e petistas lhe impuseram – e que se encaixou no seu breve currículo político.
Mas seus votos não migraram para nenhum dos dois: Haddad foi eleito com pouco mais de um terço dos que estavam aptos a votar; Serra ficou abaixo do terço histórico - e o restante não votou em ninguém.
São órfãos políticos. Fernando Henrique disse que o PSDB precisa se renovar. Não se trata, porém, de providenciar candidatos mais jovens. Se estivesse no lugar de Serra, com o mesmo discurso, um candidato com metade de sua idade, seria derrotado.
Em política, o novo não está na idade. Nero, com trinta anos, tocou fogo em Roma; Adenauer, com noventa anos, reconstruiu a Alemanha pós-Hitler. Sem falar em Churchill, De Gaulle ou mesmo Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, arquitetos da redemocratização brasileira, todos mais que septuagenários quando protagonistas de mudanças históricas.
O que importa é o discurso programático. Enquanto o PSDB insistir em ser o PT, em estar à sua esquerda, não passará ao público uma mensagem alternativa, nem muito menos convincente.
Será refém do discurso do adversário e de uma agenda que já tem dono. É preciso audácia para quebrar paradigmas. Vejamos se os tucanos (ou algum outro partido) a terão. Assunto e eleitor não lhes faltarão.