segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Pantomima

Foto: Charlie Chaplin em "O Grande Ditador"

28 de setembro, 2009
Estadão - Opinião

Pantomima
por Denis Lerrer Rosenfield*

A pantomima parece não ter limites. A política exterior brasileira está enveredando, perigosamente, pelos caminhos bolivarianos, ditatoriais, que rompem com décadas de neutralidade e não-ingerência em assuntos de outros países. O caso de Honduras é particularmente aterrador, pois, em nome da democracia totalitária, estão assentando as bases de supressão da liberdade.

Façamos, primeiro, um breve retrospecto. Lula e Celso Amorim realizaram, nos últimos anos, périplos por países africanos que têm em comum o menosprezo pela democracia e pelas liberdades em geral. Trata-se de países ditatoriais que foram considerados pelo nosso governo dignos parceiros de reconhecimento internacional. O ex-terrorista e ditador líbio, Muamar Kadafi, chegou a ser considerado como um irmão. Irmão de quê? De empreitadas ditatoriais, de uma pessoa há décadas no poder e exercendo uma dominação inflexível sobre o seu próprio povo.

Seguindo a mesma linha, a diplomacia brasileira permaneceu silenciosa sobre o genocídio do Sudão, onde mais de 200 mil pessoas foram assassinadas, não contabilizando as pessoas esquartejadas, mutiladas e estupradas. Em nome de quê? Da não-ingerência nos assuntos de outros Estados. Qual foi, então, o recado? Assassinar seu próprio povo pode, em nome da soberania interna.

O caso do Irã do "presidente" Mahmoud Ahmadinejad foi - e continua - escandaloso. As eleições foram fraudadas, o povo iraniano foi às ruas, até alguns aiatolás já não suportam o despotismo em vigor no país, pessoas foram torturadas e assassinadas em prisões. E o governo brasileiro contentou-se em dizer que se tratava de um mero jogo de futebol, em que os perdedores tinham ficado insatisfeitos. Na ONU, Lula, agora, reiterou a mesma posição de menosprezo aos direitos humanos. Temos uma prova tangível da podridão dessa esquerda que traiu inclusive os ideais de Marx. Fechou questão com o islamismo totalitário. Como se não bastasse, um "presidente" que se caracteriza pelo antissemitismo militante, propugnando pela eliminação do Estado de Israel, é convidado a visitar o Brasil. Provavelmente, em nome de uma qualquer "solidariedade" internacional, a dos déspotas.

Diante desse quadro, que é um quadro de horror, a "nossa" diplomacia, ou melhor, a "deles", dos bolivarianos com afinidades totalitárias, patrocina e é conivente com a volta de Manuel Zelaya a Honduras. Só um tolo acreditaria nas palavras de "diplomatas" (sic!) segundo os quais o Brasil só soube do ingresso do ex-presidente bolivariano, de tendências golpistas "democráticas", quando já tinha ingressado naquele país. Ainda, conforme nosso "chefe" do Itamaraty, deu-lhe "boas-vindas", oferecendo-lhe a hospitalidade brasileira. Pelo menos Zelaya e sua mulher foram "honestos" ao agradecerem ao chanceler Amorim e ao presidente Lula o seu apoio.

Para acreditar na versão oficial é necessário acreditar em duendes. Os cidadãos brasileiros são tidos por crédulos, mal informados, ou melhor, tolos. Nada bate com nada nas versões oferecidas, salvo o seu objetivo de dar o máximo de sustentação ao projeto bolivariano do golpista fracassado Zelaya. O que é para eles insuportável é que ações inconstitucionais tenham sido abortadas pela Corte Suprema daquele país, pelo Legislativo e pelos militares. Querem encobrir tudo isso dizendo que se tratou de um "golpe militar", que a América Latina não pode mais suportar.

O que pode a América Latina suportar? Deve suportar a subversão da democracia por meios democráticos, com destaque para eleições e assembleias constituintes. Deve suportar a eliminação da divisão de Poderes, com "líderes máximos" solapando progressivamente todas as instituições representativas. Deve suportar a eliminação da liberdade de imprensa, num cenário liberticida que relembra a vereda totalitária de uma esquerda que nem mais sabe o significado de valores universais. As palavras começam a perder seu sentido, ganhando um novo, que guarda uma remota ligação com seu significado originário.

A diplomacia brasileira fala que concedeu refúgio a Zelaya. Como assim? Ele estava sendo perseguido dentro de seu próprio país? Precisa de asilo? Ora, trata-se de uma pessoa que foi obrigada a deixar o poder por conspirar contra a Constituição. Por isso foi conduzido para fora de seu próprio país, sem que tivesse sofrido dano físico nem tenha estado sua vida em perigo. O que a diplomacia brasileira fez foi patrocinar sua volta a Honduras, em aliança com Hugo Chávez, que reconheceu ter organizado toda a operação. O Brasil atrelou-se à Venezuela. A diplomacia brasileira está ingerindo nos assuntos internos de outro país, numa escancarada violação da Constituição brasileira, das Cartas da OEA e da ONU.

Numa completa tergiversação, o chanceler Amorim pede que o governo de Honduras não pratique nenhuma violência contra o bolivariano Zelaya. Ora, é a diplomacia brasileira que está suscitando violência e tumulto naquele país. Os mortos já se contam. Os bolivarianos estão entrincheirados na embaixada, a partir da qual fazem manifestações públicas e organizam os seus partidários para levar a cabo o seu projeto de subversão da democracia. Como são politicamente corretos, dizem estar defendendo a democracia.

Na subversão do sentido das palavras, clamam que não reconhecerão as eleições em curso. Como assim? Porque elas estavam previstas na Constituição, antes mesmo da deposição de Zelaya? Não faz o menor sentido! As eleições seguem um cronograma constitucional, num regime de plenas liberdades, em particular de imprensa e partidária. É precisamente isso que se torna insuportável para esses socialistas autoritários.

Os países que parecem encantados com os cantos bolivarianos, como os EUA e os países europeus, estão cortando as fontes de financiamento desse pequeno país resistente. Enquanto isso, Lula negocia com Obama o fim do embargo comercial a Cuba. Deve estar fazendo isso em nome da democracia!


*Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS.

The Great Dictator- Globe Scene

Ou: Grandes sonhos de Lula lá...


A PORCARIA DO ESTADO DE SÍTIO
Reinaldo Azevedo
segunda-feira, 28 de setembro de 2009 | 13:01

A porcaria está feita em Honduras, e agora o país enfrenta a miséria do estado de sítio, situação a que está sujeita qualquer nação democrática que se encontra literalmente sitiada. Era este o ponto a que os bolivarianos esperavam levar aquele pobre e infeliz país. A Rádio Globo de Tegucigalpa, um dos poucos veículos de comunicação favoráveis ao delinqüente Manuel Zelaya, foi fechada. A TV Cholusat Sur, que também se opunha ao governo interino, está cercada por militares e saiu do ar. Não é um confisco permanente, à moda do que fez Chávez na Venezuela, com uma emissora que não era do seu gosto. A Venezuela é aquele país em que Lula diz haver “democracia até demais”.

Estamos assistindo ao resultado prático da soma da virulência bolivariana, a que o Brasil se associou, com a omissão do Departamento de Estado dos EUA. Se pedirem a Hillary Clinton que indique no mapa a América Latina, é possível que ela procure a região em algum ponto entre a África e o Oriente Médio. A madame terceirizou o problema.

Honduras se tornou tão importante para Lula e Chávez porque eles querem se caracterizar como uma força de intervenção. O fato de o ministro Nelson Jobim (Defesa) se ver obrigado a vir a público para declarar que não pensa em enviar tropas a Honduras dá conta do ridículo em que se meteu o Brasil.



A conspiração bolivariana exige o bloqueio do caminho eleitoral
por Augusto Nunes
28 de setembro de 2009

Ao instalar na embaixada em Tegucigalpa o ex-presidente Manuel Zelaya, deposto por tentativa de estupro contra a Constituição, o Brasil colocou Honduras a um passo da guerra civil, registrou o artigo “A política externa da canalhice”, postado no dia em que a representação diplomática em Honduras foi reduzida a cortiço central do amigo bolivariano. Urdido por Hugo Chávez e executado pelos lacaios da vizinhança, o plano sórdido começava pelo bloqueio do calendário eleitoral. Era essencial impedir a realização das eleições presidenciais de novembro, o caminho mais curto e mais seguro para a plena normalidade democrática.

Até então, a vida em Honduras seguia seu curso. A imprensa publicava o que queria, ninguém fora preso, os partidos e seus candidatos concentravam-se na campanha eleitoral. As primeiras provocações de Zelaya levaram ao toque de recolher. Seus desdobramentos obrigaram o governo interino a decretar o estado de sítio.

O mandato que Zelaya não soube honrar terminará em janeiro. Se não houver um presidente eleito, haverá a partir daí um governo ilegítimo, seja qual for o inquilino do palácio presidencial. Nessa hipótese, a política externa da canalhice terá incorporado a seu prontuário o assassinato da democracia hondurenha. Hugo Chávez vai ficar muito feliz.


Honduras contra a mentira global
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 28 de setembro de 2009

Se algo os acontecimentos recentes em Honduras confirmam, é aquilo que venho dizendo há anos: quem quer que, sem ser esquerdista, preste algum favorzinho aos esquerdistas, acaba sendo acusado por eles de fazer exatamente o contrário do que fez, de ser um direitista feroz e intolerante que só os persegue, maltrata e atemoriza.

Em 28 de junho, a Suprema Corte de Honduras determinou a prisão do presidente Manuel Zelaya por ter infringido a Constituição e ameaçado usar a força contra o poder legislativo. Os militares, em vez de executar a ordem, deixaram-se enternecer pelo desgraçado e permitiram que ele escapasse para a Costa Rica. Resultado: a esquerda mundial inteira os acusa de ter “expulsado” Zelaya, de ter dado um “golpe”, de ter “rompido a estabilidade das instituições”.

Se tivessem prendido o delinqüente e o levado a julgamento, a esquerda mundial poderia estar tão enfezada quanto está agora, mas não teria nenhum pretexto para dizer essas coisas. Teria de inventar outras mentiras, mais trabalhosas, menos persuasivas.

Não sei quantas décadas ou séculos de experiência e de sofrimento inútil a humanidade ainda precisará para compreender que indivíduos contaminados pela mentalidade revolucionária não são pessoas normais, confiáveis, das quais se possa esperar lealdade, gratidão, bondade ou acordo racional, mesmo em doses mínimas.

A história está repleta de casos de conservadores, católicos, protestantes, judeus, que arriscaram suas vidas para salvar comunistas perseguidos. Não consta dos anais do mundo um só episódio de comunista de carteirinha que tenha feito o mesmo por um reacionário, um só exemplo de radical islâmico que tenha arriscado o pescoço para livrar um infiel das garras dos aiatolás vingadores.

A mentalidade revolucionária não admite leis ou valores acima do poder revolucionário, não conhece caridade ou humanitarismo exceto como expedientes publicitários a serviço da revolução, não admite lealdade senão ao aparato revolucionário, não aceita a existência da verdade senão como simulacro de credibilidade da mentira revolucionária.

Com toda a evidência, é assim que funciona a mente dos srs. Luís Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez, Marco Aurélio Garcia e demais próceres do Foro de São Paulo.

O sr. Lula acaba de dar mais um exemplo da sua mendacidade revolucionária infatigável, ao afirmar que o governo brasileiro nada sabia do retorno de Manuel Zelaya a Honduras, quando o próprio Zelaya confessa que foi tudo combinado com o sr. Marco Aurélio Garcia.

Colaboracionistas em profusão, espalhados pela mídia internacional, apressam-se em alardear que a presença do presidente criminoso na embaixada brasileira desestabiliza o regime hodurenho e o predispõe a concessões. Isso é pura guerra psicológica. Quem quer trégua não priva o inimigo de água e comida, nem atira nos agentes chavistas que o apóiam, camuflados de cidadãos hondurenhos. Quem está desestabilizada é a “ordem global”, que mostrou toda a sua fraqueza, todo o seu desespero, ao ficar provado que, para destruí-la, basta um povo pequeno e corajoso dizer “Não”.

Não acreditem em jornalistas que lhes apresentam a crise hondurenha como uma questão de aceitar ou rejeitar Zelaya na presidência. Esse problema nem sequer existe. Como presidente ou como cidadão, há uma ordem de prisão contra ele. Recolocá-lo no Palácio Presidencial é apenas garantir que ele irá para a cadeia com honras de chefe de Estado. Honduras não está lutando para se livrar de um político safado, mas para assegurar que a ordem legal e constitucional do país valha mais que a opinião de bandidos e tagarelas estrangeiros autonomeados “consenso internacional”.

Para lidar com essa gente, toda precaução é pouca, toda suspeita é modesta, toda conjeturação de motivos sórdidos corre o risco de ficar muito aquém da realidade. Os hondurenhos parecem ser o primeiro povo do mundo que percebeu isso.

___

Comento:

O "Guardião" ???

No momento em que Stalinácio chama o governo de fato de "golpista" já está tomando partido, inabilitando-se a ser mediador de PN!.

Além de estar infringindo a Constituição Brasileira!!!

Título I
Dos Princípios Fundamentais

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

I – independência nacional;

III – autodeterminação dos povos;

IV – não-intervenção;


Além disso..

Foi o Apedeuta que cortou relações diplomáticas com Honduras e retirou o embaixador de lá!

Agora acha “estranho” que Honduras queira que o Brasil feche a tal “abaixada bunker”???

Decida-se grandecíssimo Ignorácio!

sábado, 26 de setembro de 2009

Honduras - A verdade, cronologicamente

Todos os FATOS que levaram à destituição do golpista Zelaya:


___

Leia AQUI a
Ordem de Captura contra Mel Zelaya
Tegucigalpa M.D.C., 25 de Junho de 2009.
República de Honduras
Ministério Público

___


À luz da Constituição, não houve golpe em Honduras

por Lionel Zaclis

"Embora a mídia venha se referindo à substituição do presidente da República de Honduras como um golpe, parece que ninguém, até agora, fez um estudo mais aprofundado dos fatos ali ocorridos à luz da Constituição, e sob a ótica das medidas judiciais levadas a efeito. Pelo menos, ainda não deparei com uma análise mais aprofundada no que tange à aderência daqueles fatos às regras de um Estado de Direito. Trata-se de algo que não tem provocado interesse, seja por parte da mídia, seja por parte dos juristas.

Analisada a questão do ponto de vista jurídico, distante dos interesses político-ideológicos, a conclusão a que se chega é a de que esse pequeno país da América Central tem sido punido por cumprir as normas constitucionais ali imperantes. Se boas ou ruins, é tema que não vem à baila neste momento."


O texto é longo mas bastante esclarecedor.
Vale a pena ler a íntegra no site Consultor Jurídico: AQUI

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Honduras, la VERDAD - Cuentale al mundo entero!




Honduras - República de Bananas

Texto de Merval Pereira:

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o protoditador venezuelano Hugo Chávez encarregaram-se em questão de poucas horas de desmontar a versão oficial de que as autoridades brasileiras nada sabiam sobre a sua estratégia de regressar ao país e abrigar-se na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Falando à rádio Jovem Pan, o presidente deposto, Manuel Zelaya, disse que a escolha da representação diplomática brasileira foi uma "decisão pessoal", depois de consultas feitas ao presidente Lula e ao chanceler Celso Amorim.

Já Chávez revelou, rindo, como "enganou" todo mundo, monitorando a viagem de Zelaya através de um telefone via satélite, e que quando todos esperavam que o presidente deposto estaria em Nova York, para a reunião da ONU, ele "se materializou" na embaixada brasileira.

A reboque da estratégia bolivariana, o governo brasileiro está participando de uma farsa política com ares de "república de banana", só que dessa vez o papel de interventor não é dos Estados Unidos, mas do Brasil, conivente com a irresponsabilidade de Chávez.

Um advogado paulista, Lionel Zaclis, doutor e mestre em Direito pela USP, publicou no site "Consultor Jurídico" um estudo detalhado sobre o processo de destituição do presidente hondurenho, à luz da Constituição do país, e chegou à conclusão de que não houve golpe de Estado.

Segue um resumo de seu relato:

"De acordo com a Constituição de Honduras, como destacamos aqui ontem, o mandato presidencial tem o prazo máximo de quatro anos (artigo 237), vedada expressamente a reeleição. Aquele que violar essa cláusula, ou propuser-lhe a reforma, perderá o cargo imediatamente, tornando-se inabilitado por dez anos para o exercício de toda função pública."

"(...) Em 23 de março de 2009, o presidente Zelaya baixou o Decreto Executivo PCM-05-2009, estabelecendo a realização de uma consulta popular sobre a convocação de uma assembleia nacional constituinte para deliberar a respeito de uma nova carta política."

"(...) Em 8 de maio de 2009, o Ministério Público promoveu, perante o ‘Juzgado de Letras Del Contencioso Administrativo’ de Tegucigalpa, uma ação judicial contra o Estado de Honduras, pleiteando a declaração de nulidade do decreto (...)."

"(...) E, como tutela antecipatória, que foi aprovada, requereu-lhe a suspensão dos efeitos, sob o fundamento de que produziria danos e prejuízos ao sistema democrático do país, de impossível ou difícil reparação, e em flagrante infração às normas constitucionais e às demais leis da República, para não falar dos prejuízos econômicos à sociedade e ao Estado, tendo em vista a dimensão nacional da consulta."

"(...) Em 3 de junho, o Juizado proibiu o presidente Zelaya de continuar a consulta. Contra essa decisão, impetrou ele um Recurso de Amparo — similar ao nosso Mandado de Segurança — perante a Corte de Apelações do Contencioso Administrativo, o qual foi rejeitado em 16 de junho."

"(...) Assim, o Juizado do Contencioso Administrativo expediu, no dia 18 de junho, uma segunda ordem contra o presidente, tendo uma terceira sido expedida nesse mesmo dia. Em virtude dessa desobediência, o promotor-geral da República ofereceu, perante a Suprema Corte, denúncia criminal contra o presidente Zelaya, sustentando configurar sua conduta crimes de atentado contra a forma de governo, de traição à pátria, de abuso de autoridade e de usurpação de funções, em prejuízo da administração pública e do Estado."

"(...) A Suprema Corte aceitou a denúncia em 26 de junho, com fundamento no art. 313 da Constituição e designou um magistrado para instruir o processo. Foi decretada a prisão preventiva do denunciado, com o que foi expedido mandado de captura, cujo cumprimento ficou a cargo do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas."

"(...) No mesmo dia, o Juizado de Letras do Contencioso Administrativo deu ordem às Forças Armadas para suspender a consulta pretendida pelo presidente Zelaya e tomar posse de todo o material que nela seria utilizado."

"(...) O presidente Zelaya, então, ordenou ao chefe do Estado-Maior das Forças Armadas que distribuísse o material eleitoral de qualquer modo, porém o último, invocando a ordem judicial, se negou a fazê-lo, ao que foi destituído, tendo, em seguida, impetrado junto à Suprema Corte um recurso de amparo para ser reconduzido ao cargo."

"(...) Em 25 de junho a Suprema Corte cassou o ato do presidente Zelaya, sob o fundamento de que a remoção do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas constitui ato privativo do Congresso Nacional nos termos do artigo 279 da Constituição."

"Uma frase famosa na diplomacia brasileira é a do chanceler do governo Geisel Azeredo da Silveira, que vivia repetindo: "O Brasil não pode dar a impressão de que é uma Honduras".

A preocupação tinha sentido: Honduras é o país inspirador do termo "República de bananas" ou "República bananeira" cunhado pelo escritor americano O. Henry, pseudônimo de William Sydney Porter, que, no livro de contos curtos Cabbages and Kings, (Repolhos e Reis) de 1904, usou pela primeira vez a expressão, que passou a designar um país atrasado e dominado por governos corruptos e ditatoriais, geralmente na América Central.

O principal produto desses países, a banana, era explorado pela famosa United Fruit Company, que teve um histórico de intromissões naquela região, especialmente Honduras e Guatemala, para financiar governos que beneficiassem seus interesses econômicos, sempre apoiado pelo governo dos Estados Unidos.

A cláusula pétrea da Constituição de 1982 de Honduras tinha justamente o objetivo de cortar pela raiz a possibilidade de permanência no poder de um presidente, pondo fim à tradição caudilhesca no país.

___

Comento:

Até as pedras das ruas sabem que Stalinácio está “metido” nessa história toda até a raíz das barbas (e bigodes).

É a estratégia do Foro de São Paulo (oh! que coincidência, Lula é o fundador, junto com Fidel que ensinou Chavez – leiam a carta de Fidel à Chavez, a íntegra está disponível na net) de dominar a AL.

Já passou da hora de dar um BASTA nesses bandidos!!!

...

Por que Zé Laia voltou?
(e com todo o circo armado por Lula e Chávez)

Porque as eleições estão próximas (novembro) e é a última chance dos meliantes “terminarem” o GOLPE bolivariano que começaram.

Depois de novembro, bye bye !
Puffff!
Adeus esquerdalha bandida na América LatRina!!!

Que Honduras nos sirva de EXEMPLO!!!!

...

Leiam no Noblat (até ele teve que se render à VERDADE):

“Honduras – República de Bananas”

...

Incrível, não?

3 meses depois do golpe zelayista a imprensa brasileira finalmente resolve pesquisar a verdade.

- em vez de só repetir em coro (com aplausos de focas) tudo que o Franklin Goebbels mandou –

E a esquerdalha ainda diz que o tal PIG é “dazopozissão”….

...

Em tempo…
Vcs viram quem é o novo patrocinado da PTroubrás?
O blog do PHA.
(passem lá e vejam como abre automaticamente a propaganda da estatal – advertência: o conteúdo do brógui faz mal pro fígado de tanta mentira)

domingo, 20 de setembro de 2009

Vinte de Setembro

Semana Farroupilha

Hino Rio-Grandense

É o meu Rio Grande do Sul...

Porto Alegre é Demais...
música de José Fogaça, atual prefeito de POA
(canta: Isabela Fogaça)


Horizontes
Vitor Ramil e Angela Jobim


Deu prá ti
música de Kleiton & Kledir

O presidente que acabou com o analfabetismo em 2007 governa 14,2 milhões de analfabetos


Texto de Augusto Nunes - AQUI

O pai da criatura natimorta finge nem lembrar que anunciou faz só cinco anos o parto iminente da primeira máquina-de-fazer-país fecundada pelo novo governo. Lula batizou-a de Programa Plurianual 2004-2007, deu-lhe o apelido de PPA, fixou o dote em mais de R$ 1 trilhão e avisou que, entre outros espantos, o invento acabaria com o analfabetismo até dezembro de 2007. “Foi preciso um filho de uma analfabeta para fazer o que os outros nunca pensaram em fazer”, gabou-se antes mesmo de saber como era aquele embrião de avô do PAC.

“Existem catedráticos que durante toda a vida tiveram e têm uma criada analfabeta sem se preocupar em ensiná-la a ler e escrever”, fantasiou (sempre assombrado por Fernando Henrique Cardoso) o único presidente do mundo que não sabe ler e escrever — e, por isso mesmo, está desqualificado para averiguar o grau de conhecimento de alguém. Sem imaginar que seria demitido por telefone meses mais tarde, o ministro da Educação, Cristóvam Buarque, embarcou na viagem. “É tristemente injusta uma sociedade que se divide entre uma casta de leitores e uma de analfabetos”, distinguiu-se o orador do chefe ao lado. “Pensem que, amanhã, milhões de pessoas não poderão ler a notícia deste compromisso”.

Em setembro de 2003, 14,8 milhões não leram a notícia do compromisso assumido por Lula: “Até o fim de 2007, 16,3 milhões de pessoas serão alfabetizadas e 100% das crianças entre 7 e 14 anos estarão matriculadas no ensino fundamental”. Neste setembro, também não leram que continuam analfabetos. Divulgada nesta sexta-feira, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), constatou que, em 2008, eram 14,2 milhões os brasileiros que não sabem diferenciar uma vogal de uma consoante. Essa imensidão de excluídos é apenas 600 mil cabeças menor que a de 2002 e maior que a recenseada em 2007, o ano que Lula escolheu para festejar a erradicação completa da praga.

“Quem vier depois de mim”, gabou-se de novo há 10 dias”, “vai ter de fazer muito mais pela educação, porque o paradigma mudou”. Mudou para pior. Os próximos governos terão de fazer muito mais que o atual porque o analfabetismo atinge 12% da população com mais de 15 anos. Só 24% tratam com mais gentileza o idioma e 36% são considerados analfabetos funcionais. Nesta faixa se incluem os que vão pouco além da própria assinatura e não sabem lidar com cálculos elementares.

Em setembro de 2008, já esquecido do PPA e do analfabetismo zero, Lula pareceu muito animado com a má notícia que transmitiu à platéia do auditório em São Paulo e ao prefeito à sua esquerda. “Pasmem, caiam de costas, Kassab, porque você não sabia e eu não sabia: no Estado de São Paulo ainda temos 10% de analfabetos, o Estado mais rico da Federação. Significa que nós estamos errando em alguma coisa”. Alguém lhe soprara a porcentagem de 1991 (10,2%). Hoje, os analfabetos representam 4,6% da população paulista. Quem errou foi ele.

É verdade que também há analfabetos funcionais em todo o Estado. Um deles, com domicílio eleitoral em São Bernardo, até jurou acabar com o analfabetismo em quatro anos.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O País da Piada Pronta

O País:
18.9.2009
Deu em O Globo

Aprovada unificação de documentos de identificação

CPF, passaporte e carteira de trabalho teriam mesmo número da identidade

De Adriana Vasconcelos:

O Senado aprovou na noite de quarta-feira, por votação simbólica, um projeto de lei da Câmara que promete desburocratizar a vida do cidadão brasileiro.

O projeto, que agora vai a sanção presidencial, unifica vários documentos de identificação em um só.

A nova lei permitirá unificar a numeração do Cadastro de Pessoa Física (CPF), Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e passaporte, que passariam a ter o mesmo número do registro de identidade civil. A mudança seria feita à medida que cada um desses documentos fossem sendo expedidos.

___

A Piada:
LULA VAI INSTITUIR O CADASTRO ÚNICO

O governo do Presidente Lula anunciará na próxima semana, a adoção de um Cadastro Único Nacional, para todos cidadãos brasileiros.Você que está de saco cheio de ter que decorar números como CPF, RG, Título de Eleitor, Cartão de Crédito, senhas, etc., e, todas essas mazelas, instituídas pelo governo FHC, e anteriores, vai ficar feliz com o Projeto do Cadastro Único.

Cu: Guarde bem esse nome! Ele vai mudar a sua vida!

Esse projeto vai acabar com a burocracia de uma vez por todas, dando a cada brasileiro, um CADASTRO ÚNICO (CU). Veja só como o CU será importante em sua vida. Inicialmente, você usará o CU apenas para as necessidades básicas, mas com o tempo, poderá vir a usufruir, das variadas facilidades que o CU lhe proporcionará. Ao requerer um empréstimo, por exemplo, é só dar o CU para o gerente, que logo através de uma simples consulta à Central Nacional do CU, ele estará disponibilizando um montante compatível com o seu CU.
Numa compra, é só falar com o atendente:
- "Põe no meu CU“, por favor.
E suas compras estarão pagas!
Tudo, será debitado no seu CU.
E mais! Ao dar um calote, você não terá mais o seu nome sujo na praça, mas sim, o CU sujo.
Imagine a bela cena:
A gerente da loja te explicando:
- "O senhor(a) me desculpe, mas não podemos aprovar o crédito, porque o seu CU está sujo".
O seu CU servirá também como identificador numa blitz policial, por exemplo: quando você for parado, em vez de procurar uma dezena de documentos, basta mostrar o seu CU.
Além disso, o seu CU servirá também para a causa da segurança, pois um bandido saberá que, poderá ser facilmente reconhecido, pelo seu CU, que será inutilizado por um período previsto em lei!
Isso intimidará o larápio, pois afinal quem tem CU, tem medo.
Também, numa batida policial, você já poderá ficar prevenido, esperando, com o CU na mão!
Chegou o momento de você se perguntar:
"Será que estou preparado pra usar o meu CU?"
Se você acha que sim, comece a falar do CU a todos!
No início você vai achar estranho tanta gente pedindo o seu CU, mas não tenha medo, você vai acabar gostando de usar o CU diariamente!

Cu: Guarde bem esse nome!
Ele vai mudar a sua vida!


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Clube dos 24%

por Mauro Chaves*

Art. 1º: Em razão do crescimento de seu corpo de associados, este Clube, anteriormente denominado "dos 16%", por meio do presente instrumento de alteração estatutária passa a denominar-se "Clube dos 24%".

Art. 2º: Os integrantes deste Clube reiteram que jamais foram entrevistados por qualquer instituto de pesquisa de opinião, nem conhecem quem quer que seja que já tenha sido entrevistado por algum instituto de pesquisa de opinião, o
u já tenha ouvido falar da existência de alguma pessoa que já tenha sido entrevistada por algum instituto de pesquisa de opinião, que tenha manifestado sua aprovação a quem anunciam como ainda detentor de 76% de opinião favorável da população.

Art. 3º: Os integrantes deste Clube c
onsideram todos os cidadãos pessoas comuns, obrigadas, igualmente, a obedecer às leis e a manter a decência no exercício de cargos públicos, sem deles se aproveitar para favorecer parentes e/ou apaniguados - nestes incluídos eventuais namorados de netas -, independentemente dos cargos que políticos veteranos tenham ocupado na República, ou da oligarquia regional que tenham fundado, ou do coronelismo eletrônico que tenham comandado, ou da profusão de gestores de populações miseráveis que tenham conseguido colocar no poder durante décadas, inclusive com a utilização, atualizada para efeitos eleitorais, de formas de agradar ao povaréu que se usavam na Antiguidade romana, com festivos programas do tipo cachaça et circenses, levados aos bairros mais pobres e populosos.

Art. 4º: Os membros deste Clube consideram que tão repulsivo quanto o desrespeito à liberdade de expressão, assegurada pela Constituição, é o acumpliciamento corporativo, que pela demora em reverter a censura prévia a faz cumprir seu real objetivo, que é o de impedir - pelo esfriamento do assunto na mídia e consequente arrefecimento de mobilizações de protesto - a transmissão de informações, de interesse da sociedade, sobre bandalheiras perpetradas por poderosos da República, com os recursos extraídos do bolso dos escorchados cidadãos contribuintes.

Parágrafo único: Os integrantes desta associação consideram que importa menos o direito de os jornalistas darem informações à sociedade do que o direito que esta tem de recebê-las.

Art. 5º: Este Clube se recusa a considerar "quase indigente" um cidadão que exerce a atividade de caseiro e como tal é um trabalhador como qualquer outro, digno de respeito e com direito à preservação de seus sigilos bancário e fiscal, sem que autoridade alguma possa ter acesso a suas contas bancárias sem a devida autorização judicial.

Art. 6º: Este Clube atesta que a empresa Petróleo Brasileiro S/A, mais conhecida por Petrobrás, foi criada em outubro de 1953, e não em 2003.

Art. 7º: Este Clube considera que as decisões importantes sobre o sistema de exploração das riquezas naturais do País devem se basear em projetos de lei discutidos amplamente nas duas Casas Legislativas, com inteira liberdade de opinião - inclusive divergente - dos representantes da sociedade junto ao Poder Legislativo, sem imposições ou ameaças de outro Poder, e muito menos a tentativa de jogar à execração pública quem quer que discorde do afogadilho eleitoreiro com que se pretende deliberar sobre quest
ões que só terão implicação prática daqui a mais de uma década.

Art. 8º: Este Clube repudia a tentativa de associar sentimentos de patriotismo a opções governamentais mais motivadas por pressa eleitoral do que por fundamentações técnicas, assim como rejeita o aproveitamento de importantes datas cívicas nacionais para associá-las a projetos políticos governamentais de impacto.

Art. 9º: É da lembrança dos membros deste Clube o fato de um ex-chefe de Estado e governo já ter conclamado a população a sair às ruas
de verde e amarelo, para manifestar sua adesão a determinada proposta governamental, o que resultou no esgotamento dos estoques de pano preto nas lojas do País, uma vez que tecidos negros passaram a cobrir as casas, os prédios, os carros e as pessoas por todo o território nacional.

Art. 10º: Este Clube discorda da afirmação
segundo a qual o País, antes, não se fazia ouvido e era alvo de chacota internacional, enquanto hoje é admirado e acatado no exterior - pois o que ocorre é justamente o contrário: no que concerne a certos comportamentos pessoais cupulares, se antes havia sobriedade e elegância consentâneas à responsabilidade de condutor maior da República, hoje há uma múltipla avacalhação de linguagens, gestos e posturas, de todo incompatíveis com a majestade do cargo, o que, somando-se às gafes constantes e abissais, tem induzido - isso sim - a chacotas contra o País.

Art. 11º: Sobre a posição do País em neg
ócios internacionais, este Clube acha que temos sido muito dadivosos, sem exigir o equilíbrio da reciprocidade, quer revendo acordos só em favor de parceiros (não nossos), quer aceitando protecionismos que barram nossos produtos, quer engolindo o péssimo tratamento dado a cidadãos brasileiros com atividades nos países vizinhos, quer não reagindo a ocupações manu militari de propriedades de empresas brasileiras.

Art. 12º: Este Clube avalia que o comércio internacional tem sido balizado pelas barbas brancas e generosas de nosso Papai Noel Mercosul (Papanomer), que nada vende, tudo dá e tudo compra - inclusive armamentos bilionários há muito encalhados no mercado bélico mundial.

Art. 13º: Este Clube abomina o fato de, num total
de 183 países, o nosso ser o que exige o maior (sim, o maior) número de horas trabalhadas para pagar ao Fisco - tendo como contrapartida a qualidade dos serviços públicos que bem conhecemos.

* Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Campanha Ficha Limpa - Participe



A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar.

O PL de iniciativa popular precisa ser votado e aprovado no Congresso Nacional para se tornar lei e passar a valer em todas as eleições brasileiras. Para isso, é preciso que 1% do eleitorado brasileiro assine esse Projeto, o equivalente a um milhão e trezentas mil assinaturas.


"Para participar da Campanha Ficha Limpa é preciso imprimir o formulário de assinatura.

Depois de assinar e registrar o número do título de eleitor no documento, basta enviá-lo para o endereço SAS, Quadra 5, Lote 2, Bloco N, 1º andar - Brasília (DF) - CEP. 70.438-900.


MCCE - Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral

Site do MCCE (leia mais e imprima seu formulário) http://www.mcce.org.br/

O Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos pretende:

•Aumentar as situações que impeçam o registro de uma candidatura, incluindo:

■Pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal – no caso de políticos com foro privilegiado – em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das eleições ate que resolvam seus problemas com a Justiça Criminal;

■Parlamentares que renunciaram ao cargo para evitar abertura de processo por quebra de decoro ou por desrespeito à Constituição e fugir de possíveis punições;

■Pessoas condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa.

•Estender o período que impede a candidatura, que passaria a ser de oito anos.

•Tornar mais rápidos os processos judiciais sobre abuso de poder nas eleições, fazendo com que as decisões sejam executadas imediatamente, mesmo que ainda caibam recursos.


Confira os arquivos sobre o Projeto de Lei prontos para download: AQUI

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O petista-desempregado sumiu


texto de Augusto Nunes - AQUI

Ando procurando há muito tempo duas brasileirices que, como a ararinha-azul, existem oficialmente mas nunca aparecem: o entrevistado-pelo-instituto-de-pesquisa e o comunista-assumido-com-menos-de-100-anos. Conheço gente que jura ter conhecido um entrevistado pelo Ibope ou alguém que abranda a olímpica solidão de Oscar Niemeyer. Tenho um amigo que garante ter visto as duas raridades. Eu nunca vi. E só acredito vendo.

A essas obsessões mais antigas somou-se uma terceira: procuro há quase sete anos um petista-desempregado. Não conheço nenhum, nem conheço quem conheça. Se os leitores também não conhecerem, a espécie será declarada oficialmente extinta. E um comício com a dupla Lula e Dilma vai festejar o sucesso incomparável do programa Desemprego Zero para a Companheirada.

Os doutores de verdade e as doutoras dilmas, os gênios da raça e os cretinos fundamentais, os que raciocinam em bloco e os repetentes de carteirinha, os primeiros da classe e os que babam na gravata, os varados de luz e os doidos varridos, os menores de idade e os caducos sem remédio, os sóbrios congênitos e os bêbados de berço ─ todos deram um jeito na vida. Ninguém ficou ao relento.

Sem concursos, exames, testes ou triagens, só com o bilhete do padrinho e a carteirinha do PT, a multidão defende o salário e o partido no Planalto, no Congresso, no Judiciário, na Petrobras, na Eletrobras, nos Correios, no Ibama, no Incra, na Funai, nas Ongs, nos blogs federais, na Caixa Econômica, no Banco do Brasil, no pré-sal, no Bolsa Família, no Fome Zero ─ nenhum cabide de empregos escapou. Onde houver uma folha de pagamentos anabolizada por dinheiro público, haverá um companheiro.

A espécie dos entrevistados-pelo-instituto-de-pesquisa sempre foi pouco numerosa e um tanto arredia. Os comunistas-assumidos-com-menos-de-100-anos viveram tanto tempo na clandestinidade que se sentem melhor nas sombras que na claridade. É a Síndrome do Cristão de Catacumba. Mas os petistas-desempregados eram dezenas de milhares no começo do século. O sumiço de todos os exemplares é uma proeza e tanto.

Para que a raça não reapareça com os filhos dos casais já amparados, o presidente Lula socorreu nesta terça-feira também os futuros militantes. Num dia só, enviou à Câmara dez projetos que criam 40 mil cargos públicos. É tanta vaga que até quem não nasceu já tem salário garantido no cabideiro federal. A conta de R$ 1.388 bilhão por ano será espetada no bolso do contribuinte.

É natural que a hipótese da derrota na sucessão presidencial seja recebida pela companheirada a socos e pontapés. Perder a eleição é ruim. Perder o emprego é muito pior. Dilma Rousseff não vai liderar uma campanha eleitoral. Vai chefiar uma campanha trabalhista.