domingo, 21 de fevereiro de 2010

Só consegue ser amigo do governo do Irã quem despreza a liberdade

CLIPPING

Artigo de Augusto Nunes - originalmente AQUI

Afrontados pela fraude colossal que viciou as eleições presidenciais, centenas de milhares de manifestantes expuseram-se nas ruas do Irã à truculência do Exército regular e à cólera das milícias a serviço dos aiatolás . O mundo civilizado comoveu-se com a coragem das multidões de manifestantes anônimos. Lula enxergou algo parecido com um jogo de futebol.

Primeiro, comparou os atos de protesto à reação de torcedores que não aceitam a derrota do time. Depois, exigiu respeito ao placar criminosamente adulterado. Nos meses seguintes, oposicionistas que não seguiram o conselho de Lula foram torturados e mortos. O estadista brasileiro não viu nada demais. No fim do ano, recepcionou Mahmoud Ahmadinejad com honras de estadista. E vai retribuir a visita em maio.

Indignadas com o cinismo de Ahmadinejad, que continuou a montar nas sobras o arsenal nuclear cuja existência sempre negou em público, as nações desenvolvidas exigiram que o farsante deixasse de mentiras. O mundo civilizado hoje vê com perturbadora nitidez um psicopata no comando de um regime primitivo. Lula só consegue enxergar um bom companheiro.

Ahmadinejad lhe prometera usar a energia nuclear só para fins pacíficos, revelou há três meses. Depois da notícia, a gabolice de praxe: “Ele não teria motivos para mentir para mim”. O espancador da verdade garante que o Holocausto não existiu e garante que não pretende atacar Israel. Lula acha a primeira afirmação um tanto exagerada e acredita na segunda.

Em 11 de fevereiro, no meio da entrevista coletiva em Brasília, uma jornalista perguntou o que o chanceler Celso Amorim achava da revelação feita horas antes por Ahmadinejad: o Irá já tem condições de produzir a bomba e é, portanto, “um país nuclear”. Visivelmente perturbado, um gaguejante Amorim primeiro duvidou do que ouviu, depois lamentou o que ouviu e enfim prometeu pensar no que ouviu. No dia seguinte, retomou a lengalenga exasperante: “Precisamos conversar bastante com o Irã”, disse o áulico de todos os chefes.

O governo brasileiro nunca quis conversa com o presidente colombiano Alvaro Uribe, para que ele tentasse convencer o vizinho a parar de tratar os narcoguerrilheiros das FARC como “insurgentes”. Tampouco quis conversa com o governo interino de Honduras, para saber o que fez Manuel Zelaya para justificar a deposição. Mas quer muita conversa com os companheiros iranianos. Esses merecem toda a paciência do mundo.

A paciência acabou, avisa o comportamento dos países que contam, todos convencidos de que chegou a hora de tratar com dureza os provocadores atômicos. Sempre do lado errado, Lula comunicou que não aceitará a adoção de “medidas unilaterais” contra o governo amigo. Parece brincadeira, mas ele acredita mesmo na Teoria do Ponto G, segundo a qual o mundo já não consegue viver sem ouvir a voz do Brasil.

O presidente nunca folheou um livro de História e é desoladoramente ignorante em geopolítica. O cérebro baldio facilita as coisas. Permite-lhe, por exemplo, embarcar alegremente na fantasia do “protagonismo” alcançado por um país que ainda não descobriu como tirar das trevas 10 milhões de analfabetos ou mandar para a cadeia um único corrupto da classe executiva. Difícil é entender a inexistência, nas cercanias de Lula, de alguém capaz de dizer-lhe que nenhum chefe de governo tem o direito de cobrir de ridículo uma nação inteira.

Melhor assim. Quanto mais demorada for a parceria com o Irã, mais tempo terá o eleitorado brasileiro para entender que a política externa da companheirada antecipa as bandidagens que, se pudesse, já estaria praticando no Brasil. Quem se desmancha em agrados com a Venezuela de Chávez sonha com o “controle social da mídia”. Só pode ser parceiro do Irã dos aitolás quem despreza a democracia e odeia a liberdade. Os amigos estrangeiros só fazem por lá o que os stalinistas farofeiros pretendem fazer por aqui.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fim da Mídia (como a conhecíamos)


Quem lê sabe discernir entre fatos e partidarismo.

Muitos "jornalistas" ainda não perceberam isto.

PNDH3 nem vai precisar censurar Jornais e TV's.
Ninguém mais tá interessado em comprar mentiras mesmo.

Aproxima-se o fim da Midia comercial.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

"Boi" na merda


Artigo de Jorge Serrão
publicado originalmente no Blog Alerta Total

Luiz Inácio Lula da Silva, um cara que vive embriagado pelo Poder, suporta momentos de alta pressão. Sedentarismo combinado com os maus hábitos de excesso de fumo e bebida agravam o problema arterial. Mas a hipertensão de Lula tem razões muito mais graves e sérias.

A barometria política indica que Lula passa seu pior momento. Talvez o mais crítico de seus quase oito anos imperando no Detrito Federal. Tudo porque $talinácio contrariou interesses poderosos. As forças (nem tão) ocultas agem contra ele e seu grupo. Direta ou indiretamente. Aberta e veladamente. O pirão com Lula desandou.

Hoje $talinácio é digno de pena (não da nobre ave símbolo dos EUA, é claro). Aliás, a Águia quer comer o rabo dele. "Que merda"! No sentido conotativo ou no denotativo. Especialistas juram que os diamantes duram para sempre. Mas o teflon político de populistas mitomaníacos nunca resiste tanto tempo. Até então, desde o mensalão e tantos outros escândalos, Lula saiu incólume. Livre, leve e solto.

Agora, Lula corre sérios riscos de sair mal da Presidência. O Poder Real Mundial, que sempre lhe deu sustentação, prefere apostar em outro cavalo no cassino de outubro. Além de abusar da autoconfiança, o sabido apedeuta se deixa levar pelos atos dos radicaloides ideológicos ou pelos esquemas dos “parceiros” que o cercam.

Por que a Águia comeria o rabo do Sapo Boi Barbudo? Sobram motivos. Nada deliciosos! Lula comprou brigas inúteis com a diplomacia e a indústria (inclusive a bélica) dos EUA. A “opção estratégica” pela compra de armamentos franceses (submarinos, navios e caças) deixou Tio Sam PT da vida.

A sanção a 222 produtos norte-americanos, que sofrerão taxas de importação de até 100%, provocou a mesma ira. Aliás, por falar em Irã, o apoio brasileiro ao polêmico programa nuclear do companheiro Mahmoud Ahmadinejad, além de incomodar os EUA, também irritou Israel – mesmo com os falsos afagos genéricos de Nelson Jobim à indústria bélica judaica.

O terremoto do Haiti agravou o já complicado relacionamento da Águia com Lula. O bicho pegou porque, no meio da desgraça, os serviços de inteligência dos EUA constataram que Porto Príncipe era o teatro de operações de treinamento de grupos terroristas e narcoguerrilheiros que tinham interfaces, principalmente, com o Brasil e gente muito poderosa daqui.

Eis o motivo pelo qual o Exército dos EUA entrou tão pesado no “socorro” ao Haiti. Os militares norte-americanos fizeram uma operação de guerra para recolher documentos que comprovavam o esquema do terror – já na fase de organização para a operação efetiva. A Águia ficou fula da vida com o Lula porque ele criticou (tendo seus motivos pessoais) a “intervenção” dos norte-americanos no arrasado Haiti.

O mais irônico é que os militares brasileiros – com quem Lula, Jobim e companhia vêm polemizando burramente – sabem de toda esta verdade – sem precisar instituir comissão para investigar a história... A informação sobre a verdadeira ação dos EUA no Haiti já circula no Forte Apache e adjacências das segundas seções de comandos militares e quartéis. Os generais estão PTs da vida com o abafado rolo haitiano. E o golpe do AI-51 só não irrita os "melancias". A legião verde-oliva perdeu a paciência com Lula e Jobim, depois da perseguição ao General Santa Rosa.

Em meio a tantas turbulências, o troco rasante da Águia contra Lula não demorou. Mas veio indiretamente. O bicho foi pego por um dos rabos ou tentáculos. Atingiu um grande amigo dele, com quem os altos dirigentes petistas têm grandes negócios. A inédita prisão de José Roberto Arruda foi resultado de um puro jogo de Inteligência e influência externa sobre o sistema Judiciário do Brasil. O esquema anti-arruda, para fritar Lula, veio encomendado de fora. Por isso não vazou e pegou Lula de surpresa. Assim, não há pressão que agüente.

Por enquanto, Lula só passa mal. Mas, como bom mitomaníaco, não passa recibo. E ainda tem a cara de pau de tentar se antecipar aos fatos, sugerindo que nada tem a ver com Arruda. Lula usou a tática do despiste quando pregou, na mídia amestrada, sua esperança de que “o episódio envolvendo o governador do DF seja um exemplo para evitar novos casos de corrupção no País”.

Seu espírito de $talinácio – exterminando amigos e aliados para se perpetuar no poder – ficou claro em suas declarações: “Obviamente que fico chocado quando vejo a denúncia de corrupção neste país, fico chocado quando vejo aquele vídeo do Arruda recebendo o dinheiro, é uma coisa absurda a gente imaginar que em pleno século 21 isso acontece no Brasil. Por isso, mandei para o Congresso projeto de lei transformando o crime de corrupção em crime hediondo porque precisamos ser mais duros com a corrupção e com os corruptos”.

Lula tenta disfarçar que não sente a pressão do risco de uma quase certa intervenção do Executivo no governo de Brasília. Mas tal ato, pedido pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal, vai paralisar o governo Lula na véspera da eleição. Se tiver de nomear um interventor para o Detrito Federal, Lula ficará (como anda falando ultimamente) “na merda”.

A regra é clara! A intervenção provoca a suspensão da promulgação de todas as propostas de emenda à Constituição (PECs) em análise no Legislativo. O artigo 60 da Carta Magna de Brasileira de 1988, em seu inciso terceiro, parágrafo único, deixa claro que a Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. "Que merda" - diria $talinácio.

Gilmar Mendes, capitão do time de 11 ministros do STF, está com a bola para marcar um dos maiores gols contra Lula. Para azar do ilustre corinthiano, nos bastidores da Inteligência Militar, comenta-se que a Águia está pronta para comer Lula pelo rabo, a partir da fritura de Arruda. A parada é indigesta para a turma do Foro de São Paulo, gerenciadora dos narcoterroristas descobertos pelo estrago do terremoto haitiano.
A próxima vítima da Águia, depois do Arruda, pode ser aquele que é considerado o "maior rabo do Lula": o assessor informal e seu alterego stalinista, o tal do Pedro Caroço que está de olho na futura butique da Severina Chique-chique.

Como é Carnaval, oxalá que Lula não se assuste e nem passe mal, na Sapucaí, vendo a
Águia da Portela. Tomara também que ninguém cante para o pobre Lula uma famosa e chula marchinha carnavalesca de inspiração Bovino-escatológica:

Chamaram meu boi de espalha merda

A turma lá de casa se mancou

Espalha merda, espalha merda

É a mãe de quem chamou

Chamaram meu boi de espalha merda

Onde já se viu

Espalha merda, espalha merda

É a puta que o pariu!

CHEGA!

Reaja Brasil!!!


They don't care about us - Michael Jackson

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dados?

Dilma e os dados
09/02/10
por Guilherme Fiuza

Dilma Rousseff voltou a defender a comparação entre os governos de Lula e de Fernando Henrique. Disse que é importante para a escolha do caminho a seguir. E que está muito à vontade para comparar, porque “estamos vendo os dados”.

Seria importante a candidata de Lula esclarecer a quais dados está se referindo. Como se sabe, essa questão de dados é sensível para ela. Em seu currículo acadêmico, por exemplo, surgiu um título biônico de doutora. Um dado preocupante.

Outro dado que deve preocupá-la é o das privatizações. O governo de FHC liquidou o Estado brasileiro, diz o refrão petista. O governo Lula, porém, mesmo criando uma série de novos cabides na máquina, não reestatizou nada.

Agora quer privatizar os aeroportos. Mas vai esperar a eleição passar. Por que será?

Se privatizasse logo, a brincadeira perderia toda a graça. Não faria tanto efeito atirar pedras no bicho-papão do neoliberalismo. O povo, esse ente distraído, ia ficar confuso.

Os dados dizem que a classe C cresceu, e a pobreza diminuiu. Quanto disso se deve à privatização da telefonia, que democratizou o celular e a internet? Dilma Rousseff não deve ter tido tempo de fazer essa conta.

A agenda da ministra-candidata é apertada. Muito comício, muito dossiê, muita história para contar. E ainda tem a agenda secreta, reservada a encontros sombrios com figuras como Anthony Garotinho e José Dirceu – o homem proscrito, banido, sem mandato, sem cargo, sem lenço e sem documento que, misteriosamente, continua mandando no PT e em Dilma.

Fernando Henrique escreveu um artigo pedindo um mínimo de honestidade na comparação entre seu governo e o do sucessor. Deve se incomodar um pouco ao ver Lula se gabar para os americanos do Proer (o plano de FH de socorro aos bancos, que o PT chamou de tramóia financista).

Se a roda da história continuar nesse ritmo, logo o filho do Brasil vira pai do Plano Real.

O que o ex-presidente parece desejar não é muito: que os aprendizes de Stalin peguem leve no copidesque da história. Já viu que Dilma é capaz até de apagar as árvores de Natal da Lagoa e do Ibirapuera em 2002. Se ninguém checar, eles vão retocando tudo.

E ainda há os relatórios acadêmicos diligentes, como esse último da FGV sobre ascensão da classe média baixa, curiosamente partindo sempre do ano de 2003 – a nova data do descobrimento do Brasil.

“Estamos vendo os dados”, disse Dilma Rousseff. Talvez seja o caso de alertá-la como se faz com criança em museu: olha, mas não mexe.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O eleitorado brasileiro merece ver um debate entre Lula e FHC

Artigo original no blog de Augusto Nunes
8 de fevereiro de 2010

Nos comícios agora diários, além de aprenderem que demissão por abandono de emprego não vale para presidente da República, os brasileiros ficam sabendo que o Dia da Criação só deu as caras por aqui bilhões de anos mais tarde. Mais precisamente em 1º de janeiro de 2003, quando o maior governante desde o tempo das cavernas começou a cumprir a missão que a Divina Providência lhe confiou: construir um país.

Antes de Fernando Henrique Cardoso, o que havia era muito pouco. Depois, restou o nada. Foi Lula quem fez o Brasil. Teria feito em sete dias se não existissem o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público e o IBAMA. Só por isso a mais grandiosa das obras do PAC demorou sete anos. Em compensação, o Brasil ficou uma beleza, é sócio-convidado do Primeiríssimo Mundo e logo vai virar potência. Desde que Dilma Rousseff seja eleita, condiciona o construtor da nação. Só a vitória da Mãe do PAC impedirá a volta da escuridão que Lula iluminou.

Neste domingo, com 968 palavras, Fernando Henrique enterrou no jazigo das malandragens eleitoreiras a fantasia costurada durante sete anos. O artigo ensina que o Brasil existia antes de Lula e existirá depois dele, seja quem for o sucessor. Incisivo, contundente, o texto exibe o legado de um estadista onde Lula insiste em enxergar a herança maldita.

“Gostaria que a eleição fosse no estilo nós contra eles, pão-pão-queijo-queijo”, repete Lula desde outubro. No último parágrafo do artigo, FHC primeiro reitera uma lição elementar : ”Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças”. Em seguida, apanha a luva atirada pelo sucessor: “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer”.

Como descobrir quem tem razão? Basta promover um debate público entre os dois, propôs Sebastião Silveira. Imediatamente encampada pela coluna e por VEJA.com, que cuidarão de convidar os contendores, a ideia não tem contra-indicações. Um foi presidente, outro logo deixará o cargo. Nenhum deles é candidato. O embate ajudará o eleitorado a escolher com mais segurança.

O fecho do artigo informa que FHC está pronto para o duelo. Lula vive dizendo que sonha com o debate que não pôde travar em 1994 e 1998. Duas vezes derrotado por FHC, o atual presidente tem a chance de provar que o desfecho de um terceiro confronto seria diferente. Enfim, o Brasil merece saber quem diz a verdade.

E faz questão de saber quem mente.
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Pediram?
O DESAFIO está feito!

DEBATE JÁ!!!
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Petition online.

O Coturno Noturno acaba de postar uma Petition Online, por um debate definitivo entre Lula e FHC. Assinem. Espalhem. Divulguem. Vamos acabar logo com esta mentira. Se querem briga, que encarem o inimigo de frente. Que sejam homens e não vermes.
http://www.ipetitions.com/petition/fhcxlula/


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sem Medo do Passado

Artigo de Fernando Henrique Cardoso*
07/01/2010

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores.
Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

* Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
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Brevíssimo comentário:

O Apedeuta chamou pra comparação? Então TOME!
Chega das mentiras da petralhada!!!
Parabéns a FHC pela firmeza em demonstrar os FATOS!