sábado, 23 de outubro de 2010

Farsas e outras falsidades

Sobre farsas

por Merval Pereira

- publicado em Globo 22/10/2010 -


Não satisfeito de ter transgredido todas as normas legais relativas à campanha eleitoral no afã de eleger a candidata que tirou da cartola, o presidente Lula na reta final da eleição perdeu qualquer vislumbre de constrangimento que porventura ainda tivesse e passou a fazer campanha política 24 horas por dia, antes, durante e depois do expediente oficial de presidente da República, em todas as dependências oficiais do governo.

E participou diretamente nos dois últimos dias de duas das mais vergonhosas tentativas de farsas políticas da história recente do país.

Ontem, ele se despiu dos rigores do cargo e assumiu o papel do cabo eleitoral mais energúmeno que possa haver.

(Antes que algum petista desavisado ache que estou xingando Sua Excelência, devo esclarecer que utilizo o termo energúmeno no sentido de "fanático". A palavra parece um palavrão, mas não é).

Na coluna de ontem, escrevi que Serra fora atingido por um "artefato" e houve petistas exaltados que vissem no termo um sentido alarmante que ele não tem. Usa-se a palavra para definir "qualquer objeto manufaturado". Como não sabia o que havia atingido o candidato tucano, usei a palavra. E acertei, como veremos.

Voltando ao caso, o cabo eleitoral Lula da Silva disse que a agressão sofrida por Serra era uma "mentira descarada".

Segundo ele, depois de ver imagens das redes Record e SBT, ficou convencido de que Serra fora atingido por uma bolinha de papel e seguiu caminhando por mais 20 minutos, quando recebeu um telefonema "de algum assessor da publicidade da campanha que sugeriu parar de caminhar e pôr a mão na cabeça para criar um factoide".

Para encerrar o festival de irresponsabilidades, Lula comparou o caso ao do goleiro chileno Rojas, que fingiu ter sido atingido por um rojão num jogo contra o Brasil.

Ontem, o Jornal Nacional demonstrou, com o auxílio de um perito, que quem criou um factoide com claros objetivos políticos foram as reportagens que montaram dois momentos diferentes como se fossem uma sequência, tentando desqualificar o que foi uma atitude política digna dos regimes fascistas.

Serra foi atingido, sim, por uma bobina de papel crepe (o tal "artefato") que, arremessado com força, pode provocar danos graves na pessoa atingida.

A agressividade dos cabos eleitorais petistas em si mesma já era motivo para preocupação, pois em democracias não é aceitável que grupos tentem impedir outros de se manifestar.

Desse ponto de vista, é lamentável o que ocorreu ontem em Curitiba, quando a candidata oficial foi recebida com bolas de água jogadas de cima de prédios. Se atingissem alguém, elas seriam tão perigosas quanto o "artefato" que atingiu Serra.

O que não é comparável é a origem dos dois fatos. O primeiro foi uma ação política orquestrada com a intenção de agredir o candidato oposicionista. A outra é uma irresponsabilidade.

Na quarta-feira, Lula havia anunciado para os jornalistas a conclusão de um inquérito que a Polícia Federal realizou sobre a quebra de sigilo fiscal de parentes e pessoas ligadas ao candidato da oposição José Serra.

O próprio presidente, depois de ter tentado desqualificar as denúncias sugerindo que se tratava de uma ação eleitoreira de Serra, viu-se obrigado a convocar a Polícia Federal para investigar o caso.

Soube em primeira mão o resultado do inquérito e pareceu satisfeito, tanto que anunciou aos jornalistas, sem que fosse perguntado, que a Polícia Federal iria revelar "a verdade dos fatos", que nada tinha a ver com "as versões".

De fato, a Polícia Federal retirou todo caráter político da investigação, e anunciou que o responsável pela compra dos sigilos quebrados era o jornalista Amaury Ribeiro Junior quando ainda trabalhava no jornal "Estado de Minas".

O PT passou então a espalhar a versão de que se tratava de uma briga interna dos tucanos, e que o serviço sujo fora feito para ajudar Aécio Neves na disputa interna com Serra pela indicação a candidato do partido a presidente.

A suposição era de que o jornal "Estado de Minas" mantinha estreita ligação com Aécio e designara seu repórter investigativo para devassar a vida de seu adversário.

O próprio Amaury Ribeiro Junior disse que fizera os levantamentos "para proteger Aécio", mas em nenhum momento afirmou que fora designado pelo jornal para tal tarefa, apenas insinuava o vínculo.

Não bastou que o jornal e Aécio desmentissem essa hipótese, a rede de intrigas petista passou a anunciar como verdade o "fogo amigo" tucano como gerador da quebra dos sigilos fiscais.

Pois ontem a verdade veio à tona: o jornalista não estava mais trabalhando para o "Estado de Minas" quando encomendou a quebra de sigilo dos parentes de Serra e de pessoas ligadas a ele no PSDB, e agora acusa o petista Rui Falcão, coordenador da campanha de Dilma, de ter roubado os dados de seu computador.

Esses dados, juntamente com a informação de que havia sido criado um grupo de espionagem dentro da campanha, foram vazados para a imprensa em decorrência de uma disputa de poder entre Fernando Pimentel, responsável pela contratação dessa equipe de "jornalistas investigativos" para trabalhar no "setor de inteligência" da campanha, e Rui Falcão.

Agora a Polícia Federal tem a obrigação de prosseguir nas investigações para saber quem financiou o jornalista Amaury Ribeiro Junior desde a compra dos sigilos até que surgisse oficialmente como membro da campanha dilmista no tal "setor de inteligência".

Do jeito que as coisas ficaram, a sensação é de que a Polícia Federal foi usada pelo governo para revelar, às vésperas do segundo turno da eleição, apenas informações que prejudicassem o campo oposicionista.

A nota indignada do diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, repudiando o uso político das investigações, só pode ser considerada se a atitude da Polícia Federal corresponder a ela, o que não aconteceu até agora.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Como reagir sem ofender o PT


22/10/2010

Tenho uma sugestão ao PT: partido precisa escrever o “Manual das Boas Vítimas” Reinaldo Azevedo - AQUI

Tenho uma sugestão ao PT: em parceria com alguns colunistas da imprensa brasileira — se José Eduardo Dutra quiser, posso indicar alguns e algumas coleguinhas —, o partido tem de escrever o “Manual das Boas Vítimas”. O que vem a ser isso?

Sempre que alguém da oposição, um cidadão comum, um proprietário de terra, um trabalhador dedicado àquele hábito quase extinto de ganhar o salário com o seu próprio esforço, um pagador de impostos… Em suma, sempre que essa gente toda que o PT despreza for molestada por petistas, é preciso reagir de modo adequado, educado, civilizado, proporcional, sem ferir a sensibilidade dos tontons-maCUTs.

Onde já se viu alguém levar um troço na cabeça e ir procurar o médico? É um absurdo! É claro que é uma reação desproporcional, deselegante, cujo objetivo é atingir a honra imaculada daqueles petistas que estavam lá apenas para impedir o direito dos tucanos de ir e vir. Pensem bem: se os petistas não puderem mais rasgar a Constituição, quem poderá? O manual tem de ter um verbete: “PANCADA NA CABEÇA — COMO REAGIR SEM OFENDER O PT”.

É preciso haver um pouco mais de ética nessa sacanagem, entendem? Então o MST, aliado do PT, não pode mais invadir fazendas, derrubar laranjais, depredar laboratórios? Se o MST não puder mais rasgar a Constituição, quem poderá? O manual tem de ter um verbete: “INVASÃO DE TERRA - COMO REAGIR SEM OFENDER O PT”.

Vivemos, dizem os michês ideológicos do PT na academia & nas artes, uma nova “era democrática”. O sigilo fiscal de adversários se consegue em qualquer esquina. Tendo em mãos evidências de que se tratou de uma operação política, secretário e corregedor da Receita Federal, antes instituição imune à contaminação político-partidária, conferem entrevista coletiva para fraudar a verdade. A Polícia Federal conduz uma investigação das falcatruas perpetradas por petistas e associados com um timing que é, atenção!, confessadamente político. Nos bastidores, planta-se a canalhice de que culpadas pelo mal que as acomete são as próprias vítimas. E tudo fica por isso mesmo. Petistas e até imprensa acusam essas vítimas de exagero. Se os petistas não puderem mais rasgar a Constituição, quem poderá? O manual tem de ter um verbete: “INVASÃO DE SIGILO - COMO REAGIR SEM OFENDER O PT”.

Precisamos entender, como queria Gramsci, que estamos diante de uma força que tomou as mentalidades e que instaurou uma nova normalidade, segundo a qual o PT tem licenças especiais que a lei pode não lhes conceder, mas que aquilo a que chamam “história” lhe confere. O direito de ir e vir, o direito à propriedade e aqueles direitos assegurados pelo Artigo 5º da Constituição são manifestações de um tempo em que “o povo”, o “povo petista, ainda não havia chegado ao poder. É o Brasil velho, pré-Lula, que assegurava direitos fundamentais. O novo Brasil assegura o seu direito de reagir com compostura quando molestado.

Se um petista esbarrar em você na rua, não hesite: peça desculpas, ou ele o acusará de estar obstruindo o caminho do povo e da justiça! Pra cima de mim? Nem pensar! Vão ter de rebolar muito.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Porque votar em Serra

Porque votarei em José Serra
- por Ruy Câmara -

O Brasil vai bem, obrigado. O desemprego é um dos mais baixos da História recente. O salário mínimo está recuperando o valor de compra. Milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza nos últimos 16 anos. E o Brasil passou quase incólume pela crise financeira internacional que, em 2008, foi um tsunami no mundo. Devemos crescer até 7% este ano.

Só que, ao contrário do que apregoa o PT, nada disso se deve a Lula.

Ele só está surfando em cima da herança bendita que recebeu de Itamar Franco e Fernando Henrique e da qual se apossou sem pagar direitos autorais.

Lula encontrou o Brasil com a economia saneada pelo Plano Real que, em 1994, quebrou a espinha dorsal da hiperinflação.

A inclusão social começou aí. A hiperinflação era o imposto mais cruel que caía sobre os pobres e os trabalhadores, que, até então, viam cada vez mais dias sobrarem ao final dos seus salários.

Lula e o PT ficaram contra o Plano Real, mesmo sabendo que ele era aprovado pelos brasileiros que elegeram FHC, já no primeiro turno, em 94 e 98.

FHC criou a Rede de Proteção Social que desenvolveu cinco programas sociais, entre outros: o Bolsa-Escola, o Bolsa-Alimentação (iniciativa de Serra quando ministro da Saúde), o Vale-Gás, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e o Programa para Jovens em Situação de Risco.

Em 2002, essa rede beneficiava 37,6 milhões de brasileiros, com investimento de R$ 30 bilhões.

Lula pegou esses cinco programas sociais e os juntou num só, "inventando" o Bolsa-Família, sem pagar direitos autorais, de novo.

Contra o voto do PT, FHC criou o Fundef, que colocou 97% das crianças entre 7 e 14 anos da sala de aula e aumentou os salários dos professores, principalmente no Norte e Nordeste.

No Planalto, Lula esqueceu o que dissera sobre o Fundef e "criou" o Fundeb, também sem pagar direitos autorais.

Lula e o PT se opuseram à Lei de Responsabilidade Fiscal, que acabou com a gastança de prefeitos e governadores. Entraram inclusive no STF com questionamento de inconstitucionalidade.

Ao assumir o Ministério da Fazenda, Antônio Palocci tratou de anunciar que respeitaria essa lei.

Lula e Palocci também anunciaram que haveria um prazo de dois anos para permitir a transição da política econômica de FHC para uma "política dos trabalhadores". A política de FHC continua sendo executada até hoje, oito anos depois...

E ainda acusam FHC de ser "neoliberal"...

Os petistas dizem que FHC quebrou o monopólio do petróleo. É mentira.

O monopólio passou para a competência da União e a Petrobrás ficou liberada para firmar parceria com empresas estrangeiras. Foi a atuação da Petrobrás com a British Petroleum e a portuguesa Galp que permitiu a descoberta do megacampo de Tupi e do petróleo do pré-sal. Com a necessidade da competição, a empresa avançou mais ainda em sua gestão, tornando-se uma das maiores empresas do mundo, antes mesmo de o Lula tomar posse.

O PT foi contra a privatização das telecomunicações. Com o monopólio da Telebrás, telefone era item de declaração obrigatória no Imposto de Renda. Depois da privatização, o telefone celular anda no bolso até das faixas mais pobres da população. Hoje existem mais celulares no País do que brasileiros...

O PT condenou, até com pontapés, a privatização da Vale do Rio Doce. Entre 1943, ano da fundação, e 1997, quando foi privatizada, a Vale investiu, em média, US$ 481 milhões por ano e teve lucro líquido de US$ 192 milhões.

De 1998 até 2009, a CVRD investiu US$ 6,1 bilhões e teve lucro de US$ 4,6 bilhões. O recolhimento de impostos saltou de US$ 31 milhões para US$ 1,093 bilhão por ano.

Embora tivesse denunciado essas privatizações como "neoliberais", Lula não mexeu nelas. Então, Lula também é neoliberal. Ah, na campanha de 2002, ele chegou a apontar a privatização da Embraer como modelo.

FHC saneou o sistema financeiro. Depois do Plano Real, grandes bancos perderam receita inflacionária e quebraram. FHC criou o Proer e restabeleceu a confiança dos depositantes.

Quando a crise internacional de 2008 bateu aqui, os bancos estavam saneados e não houve a quebradeira que aconteceu nos EUA e na Europa.

Nessa ocasião, Lula anunciou que mandaria uma cópia do Proer para ajudar a sanear os bancos dos EUA... De novo, não pagou os direitos autorais.

Lula extinguiu, em 2006, os mutirões criados por José Serra e que atendiam os mais idosos e pobres, operando-os de catarata, varizes, próstata, câncer de mama e colo de útero. A consequência foi a explosão dos casos de cegueira por catarata entre os brasileiros mais pobres. A fila de espera por uma cirurgia de catarata não é de menos de seis meses.

José Serra tem 40 anos de história. Foi presidente da UNE, quando ela era, ainda, a União Nacional dos Estudantes, e não um covil de pelegos. Exilou-se no Chile, em 1964.

Foi secretário do Planejamento do governador Franco Montoro e coordenou a organização do plano de governo de Tancredo Neves.

Lula e o PT dizem que lutaram pela redemocratização. Eles mentem, de novo, pois ficaram contra a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral, tendo expulsado os seus três deputados federais (Beth Mendes, José Euler e Airton Soares) que desobedeceram ao partido e votaram em Tancredo.

Em 1988, recusaram-se a assinar a nova Constituição, com o argumento de que era uma Constituição conservadora, não entendendo a sua importância para a construção e o aprofundamento da democracia, novamente conquistada depois de mais de 20 anos de ditadura militar.

Em 1992, após o impeachment de Collor, com medo de as dificuldadades da luta contra a inflação atingirem o favoritismo de Lula para a sucessão presidencial de 1994, recusaram participar do governo democrático de Itamar Franco. Luiza Erundina, inclusive, teve de pedir licença ao partido para ser ministra de Itamar. Mais tarde, acabou saindo definitivamente do PT.

Como deputado, Serra tirou do papel o FAT, que hoje dá um oxigênio ao trabalhador que fica desempregado.

Ministro da Saúde, Serra criou os genéricos. Anunciou que as patentes de remédios não poderiam prevalecer sobre a saúde e conquistou o apoio da Organização Mundial da Saúde. Desde então, as patentes dos medicamentos podem ser quebradas em caso de risco de pandemias ou emergências.

Serra multiplicou por 9 as equipes do Programa de Saúde da Família. Criou também os mutirões de saúde. E promoveu campanhas de vacinação para os idosos.

Já Dilma Rousseff faliu como dona de uma lojinha que vendia produtos a R$ 1,99 em Porto Alegre. Secretária das Finanças de Porto Alegre, deixou a Prefeitura falida, como denunciou o seu sucessor, Políbio Braga.

Ministra das Minas e Energia, Dilma apagou do site do MME as realizações do Luz no Campo, criado por FHC. Depois, "inventou" o Luz para Todos, também sem pagar direitos autorais.

Escolhida candidata, indicou Erenice Guerra para substituí-la na Casa Civil. Erenice tratou logo de arrumar "bolsas-família" e confortáveis sinecuras para o maridão, os filhos, os irmãos, os cunhados, os namorados e as namoradas dos filhos e velhos amigos.

Votar nela é escolher Dunga - que nunca treinou um time de várzea - para ser o técnico da seleção brasileira. Deu no que deu.

Dilma é uma cristã-nova no PT. Vai ser refém de petistas como José Dirceu, que domina a máquina, foi o chefe do mensalão, que realizou o maior ataque à nossa democracia, com o pagamento de propinas mensais para conquistar o apoio de parlamentares corruptos às propostas do governo.

Dilma será uma nova Isabelita Perón, que, ao suceder ao marido, Juan Domingo Perón, como presidente da Argentina, na década de 70, não conhecia o país (vivera na Espanha) nem o Partido Peronista. Tornou-se refém do ministro da Previdência, José López Rega, que era um fascista, e iniciou uma guerra de extermínio contra os peronistas de esquerda.

O país mergulhou numa guerra civil não declarada e na hiperinflação. Os militares deram um golpe e enfiaram a Argentina nas trevas da ditadura e da "guerra suja", das quais não se recuperou até hoje.

José Dirceu já percebeu as fraquezas de Dilma. Quando anunciou que a sua eleição seria o fortalecimento do PT, estava se candidatando a ser o López Rega de Dilma. O plano de José Dirceu, acusado formalmente e processado com o chefe da quadrilha do mensalão é avermelhar o Brasil, ou seja, implantar o regime leninista-stalinista-chavista-castrista, que significa, de início, o seguinte:

1. Anular a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA.

2. Aprovar a CONSTITUINTE PETISTA - Todos submissos à cartilha populista do PT.

3. Instauração do REGIME SOCIALISTA sob comando dos delinquentes de estimação do PT.

4. Fomento do CONFLITO DE CLASSES para consolidar o regime, a tirania e OPRESSÃO.


A 2ª FASE do PLANO, que já faz parte do programa de desgoverno da Dilma e do Zé Dirceu é:

1. Suprimir da Constituição as GARANTIAS INDIVIDUAIS

2. Acabar com o SIGILO FISCAL

3. Eliminar o DIREITO DE PROPRIEDADE

4. Acabar com a LIBERDADE DE IMPRENSA.

Por tudo isso, no dia 31, votarei em José Serra para presidente do Brasil.

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Ruy Câmara
ruycamara@uol.com.br
Recife
Estadão - Cartas

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

Nós, os 4%

Artigo Imperdível de Sergio Vaz

Nós, os 4%. Mas podem chamar de 49%
2 de outubro de 2010

O Brasil é um país dividido ao meio.

Dizem que somos 4%. Eu, pessoalmente, até gosto disso. É bom o gostinho de ser a ínfima minoria que não concorda com a banda dos contentes. É bom ser da turma de Bertold Brecht, de Marlene Dietrich – e não dos 90 e sei lá quantos por cento que aplaudiam Hitler. É bom ser da turma de Sakharov, de Soljenitsin, de Pasternak, e não dos 90 e sei quantos por cento que aplaudiam o stalinismo.

Mas dizer que somos 4% é falácia, é mentira. Somos em torno de 50%. Às vezes somos 54%, às vezes 48%.

O Brasil é um país dividido ao meio. Exatamente como os Estados Unidos, como o Chile. Um pouco como a França, a Itália, a Espanha, Portugal.

Somos um país dividido ao meio pelo menos desde 1994. Naquele ano, Fernando Henrique venceu Lula no primeiro turno com 54,3% dos votos válidos. Em 1998, Fernando Henrique venceu Lula também no primeiro turno com 53,1% – de novo, pouco mais que a metade. Pertinho da metade.

Em 2002, Lula passou para o segundo turno com 46,4% dos votos. Depois de quatro anos de muita bolsa para os pobres, os menos informados, passou para o segundo turno com 48% dos votos.

Depois de oito anos em que, em vez de presidente da República, Lula foi orador de comícios, fez um discurso por dia (cacilda: são cerca de 2.900 discursos!), conquistou o fantástico, incrível apoio de 80% da população, e dedicou todo santo dia de seus magníficos 80% de aprovação, ao longo dos dois últimos anos, a propagandear sua candidata poste, sua candidata poste tem metade das intenções de voto.

Exatamente a metade.

Nesta véspera do dia da eleição, não dá para saber se haverá segundo turno ou não. Dilma pode levar já, ou pode não levar já. O que os institutos de pesquisa mostram é que ela tem em torno de 50% das intenções de voto.

Exatamente a metade.

Se não me engano, a expressão “os 4%” foi cunhada pelos tais “blogueiros progressistas”. Ou petralhas – dá na mesma. Acham que com essa expressão estão nos ridicularizando, mostrando nossa pequenez. Como se pudesse haver pequenez em quem vai contra a maré dos populistas, dos ditadores, dos absolutistas. Como se pudesse haver pequenez em Brecht, Dietrich, Sakharov, Soljenitsin, Pasternak, Hélio Bicudo, dom Paulo Evaristo Arns.

Estão errados, os “blogueiros progressistas”. Não somos 4%. Somos em torno de 50%. Depois de oito anos de todo tipo de desfaçatez, de roubalheira, de falta de vergonha, de mensalão, de Bolsa Família, de Bolsa BNDES, de agressão às leis eleitorais, à Justiça, à independência do Legislativo, de cooptação à base de grana preta de sindicatos e entidades de estudantes, de aparelhamento do Estado, de privatização do patrimônio público pelos companheiros e suas famílias extensas, de 2.900 discursos do pai da pátria que acha que nada existiu, de Cabral até hoje, a não ser ele mesmo, e que conquistou incríveis, absurdos, fantásticos 80% de aprovação, somos em torno de 50%.

Amanhã poderemos provar que somos 51% – maravilha. Ou então que somos 49% – e que Deus se apiede do Brasil.


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

VideoClipe: "Serra é do Bem" !


VideoClipe

Brasileiros se unem contra golpe fascista de Lula para favorecer Dilma Rousseff

Ditadura não
clipping Ucho.Info


Depois do discurso fascista em que afirmou que alguns setores da imprensa se comportam como partidos políticos, apenas porque exercem a tarefa de vigiar o governo e a ele fazer oposição quando necessário, Luiz Inácio da Silva determinou aos seus comandados a reverberação de sua insana fala. Por conta da tal ordem, os aduladores do messiânico Lula programaram um ato de protesto contra a imprensa para quinta-feira (23), no auditório do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, um braço do Partido dos Trabalhadores.


Para justificar mais um ato de tirania desmedida do governo Lula, o Partido dos Trabalhadores, que anunciou o evento em seu sítio eletrônico, afirma que “na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o País e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na ‘presunção da culpa’, numa afronta à Constituição que fixa a ‘presunção da inocência”.

Para os petistas que arquitetaram o golpe que está sendo consumado lentamente, “os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso. Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que - pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar - já mostraram seu desapreço pela democracia”.

No início de 2003, quando Lula ainda identificava as entranhas do Palácio do Planalto, o editor doucho.infoalertou os leitores para o perigo de um processo de “cubanização” do País que se iniciava naquele momento. Muitos foram os que, embalados pela euforia da chegada de um operário ao poder, acusaram-nos de irresponsáveis e oportunistas. Não se trata de assumir a porção de profeta do apocalipse, mas a prova dos fatos aí está para ser conferida. Quando Dilma Rousseff, no último sábado (18), fez duras críticas ao jornal “Folha de S. Paulo”, que publicou o que a candidata não teve vontade de ler, estava claro que algo estava sendo armado.



Para contrapor esse ato verdadeiramente golpista, diversos notáveis decidiram lançar nesta quarta-feira (22), durante ato público em São Paulo, manifesto em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e de expressão, do regime democrático e dos direitos individuais. Apartidário, o evento, que tem como objetivo “brecar a marcha para o autoritarismo”, acontecerá ao meio-dia desta quarta, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro da capital paulista.

Entre os que assinaram o manifesto em defesa da democracia estão Hélio Bicudo, Dom Paulo Evaristo Arns, Carlos Velloso, René Ariel Dotti, Therezinha de Jesus Zerbini, Celso Lafer, Adilson Dallari, Miguel Reali Jr., Ricardo Dalla, José Carlos Dias, Maílson da Nóbrega, Ferreira Gullar, Carlos Vereza, Zelito Viana, Everardo Maciel, Marco Antonio Villa, Haroldo Costa, Terezinha Sodré, Mauro Mendonça, Rosamaria Murtinho, Marta Grostein, Marcelo Cerqueira, Boris Fausto, José Alvaro Moisés, Leôncio Martins Rodrigues, José A. Gianotti, Lurdes Solla, Gilda Portugal Gouvea, Regina Meyer, Jorge Hilário Gouvea Vieira, Omar Carneiro da Cunha, Rodrigo Paulo de Pádua Lopes, Leonel Kaz, Jacob Kligerman, Ana Maria Tornaghi, Alice Tamborindeguy, Tereza Mascarenhas, Carlos Leal, Maristela Kubitschek, Verônica Nieckele, Cláudio Botelho, Jorge Ramos, Fábio Cuiabano, Luiz Alberto Py, Gabriela Camarão, Romeu Cortes, Maria Amélia de Andrade Pinto, Geraldo Guimarães, Martha Maria Kubitschek, Gilza Maria Villela, Mary Costa, Silvia Maria Melo Franco Cristóvão, Glória de Castro, Risoleta Medrado Cruz, Gracinda Garcez, Josier Vilar, Jussarah Kubitschek, Luiz Eduardo da Costa Carvalho e Tereza Maria de Britto Pereira.