domingo, 25 de novembro de 2012

FIM da Seca: Nordeste irrigado


FIM da Seca: Nordeste irrigado

Chega a ser CRIMINOSA a falta de competência dos governos - TODOS (estaduais e, principalmente, Federal) - que até hoje não criaram uma política eficaz e compromissada em investir, com verdadeiro interesse a RESULTADOS, contra as agruras da seca nordestina.

Para os 'donos do pudê' é mais 'rentável' trocar água por voto, comprando uma população carente, desinformada e abandonada, em prejuízo destes últimos.

Nordeste TEM água subterrânea em abundância.

Basta investir na ampliação de perfuração de poços e montar uma estrutura de distribuição e abastecimento adequada. 

Com "produção" de água e geração de energia a baixo custo (energia solar), o Nordeste poderia não apenas 'sobreviver' como CRESCER e se DESENVOLVER. 

Tecnologia, para isso, não falta. Falta vontade política!

Perfurados poços,  investindo-se em irrigação mecânica - hoje em dia perfeitamente viável a baixo/médio custo -, o Nordeste poderia transformar-se no MAIOR POMAR do Brasil.

Para o plantio de alimentos, principalmente frutas, o importante é ter SOL em abundância - que o Nordeste tem de sobra - e irrigação adequada e contínua - a ser suprida pela artificial, provinda de poços artesianos - nos meses de seca.

Além do fim da seca, ampliariam-se, desta forma, os investimentos em produção de alimentosgeração de energia barata (solar) e melhora de vida para a população, acarretando, ainda, o aumento da geração de empregos e do interesse empresarial em indústrias alimentícias para abastecer os mercados interno, nacional e internacional

Um avanço econômico desejável e NECESSÁRIO a estados debilitados pela escassez de recursos e oportunidades.

Aqui no RS (mesmo o estado tendo chuva abundante - e até em excesso, com ventos, tempestades e granizo que dificultam e prejudicam a produção agrícola) a irrigação artificial vem sendo utilizada, cada vez mais e com eficiência, nas épocas de seca.

Para o NE, existe um projeto do Prof Luis Carlos Molion (CV Lattes) -  físico, especialista em climatologia e hidrologia -  com planejamento para transformar o Nordeste em uma 'Califórnia Brasileira'.

A Califórnia, que era praticamente um deserto - com clima similar ao NE -, é, hoje em dia, o maior produtor de uvas (e vinhos) e frutas cítricas dos EUA, graças à irrigação artificial.

Sugiro ao pessoal do NE que entre em contato com o professor Molion para conhecer, em mais detalhes - e apoiar e cobrar das autoridades - , o projeto,  por ele elaborado, para o Nordeste.

Como comentei antes, tudo sempre e ainda (até quando?) depende - pela falta da vergonha na cara de oportunistas - da 'vontade política'...

Tivéssemos atuação e ação correta dos governantes - sem populismos, discursos vazios e promessas de projetos mirabolantes, nunca realizados -, dispostos a RESOLVER de FATO o problema, com investimentos planejados, operacionalizados dentro da realidade local, executados com firmeza e no curto prazo, finalmente, poderia-se beneficiar e transformar a vida dos 'sertanejos', há décadas tão sofrida, em um existência digna, produtiva e de qualidade.

A solução existe.
Cobre-se !!!
(by Mel)                    

domingo, 11 de novembro de 2012

'A salsa cubana do covarde sem caráter'

Reynaldo-BH sobre Dirceu e o Supremo: `A salsa cubana do covarde sem caráter'

"Esta tentativa – hoje isolada – de Dirceu parece dar razão a Lula quando definiu o condenado pela chefia da quadrilha, em tempos passados: “José Dirceu não tem amigos. Ele só pensa nele!”.
Dirceu tenta criar um clima de desmoralização do Poder Judiciário na tentativa desesperada de criar um fato político que dê margem – delirante – de se autodeclarar “prisioneiro político”. Como já disse antes, prisioneiro do governo do PT.
Mas, ele só pensa nele…"
Leia íntegra aqui

Algemas neles!

Respondo a mais um textículo 'cumpanhêru' ('Mostre as algemas, Zé', publicado aqui), entre alguns que recebo por email, com estapafúrdias alegações em defesa do quadrilheiro CONDENADO Dirceu. Eles estão alvoroçados...



Pedro Caroço (apelido que ganhou, à época de sua vida clandestina pós-plástica,  por passar as horas no bar - em frente à 'boutique dela' - bebendo e comendo azeitonas, enquanto a pobre mulher, que ele enganou e depois abandonou, com filho e tudo, trabalhava para sustentá-lo) sempre agiu como um covarde. 

Chega a ser risível ver um bando de ignorantes - alguns nem tanto - a defender um Zé Ninguém que foi absolutamente IRRELEVANTE para a democracia, que sempre fugiu de qualquer confronto ou 'perigo' e até recentemente conspirava, em reuniões nada republicanas,  esgueirando-se em corredores de hotéis.

Uma QUADRILHA agiu como uma CAMORRA, ROUBOU (e ainda rouba) dinheiro público e tentou FRAUDAR (e ainda não desistiu) a DEMOCRACIA.

Outros comparsas já foram jogados ao mar, Delúbio até foi escolhido como 'boi de piranha oficial do petismo'.

Tentam apenas salvar o sub-chefão Dirça  (o Capo de tutti capi ficou de fora do processo, por enquanto) da punição pelos CRIMES que COMPROVADAMENTE cometeu, utilizando-se de artigos plantados, com conversê mentiroso, forjando um mito inexistente, com uma retórica capenga à 'jus esperneandis'.

O STF julgou, transparente e democraticamente, em um processo rigorosamente respeitoso às LEIS e às provas dos autos, como TODOS puderam acompanhar até pela TV, dando aos réus - hoje justamente condenados - amplo direito de defesa.

Mimimi de bandido e xororô de seus acólitos, além de inócuos, são inaceitáveis.... 
Tomem vergonha na cara!!!

Mostre as algemas, sim! 
Mostre que o BRASIL DECENTE quer ver essa CORJA ENJAULADA!

Perdeu, Dirça! Perdeu, Lula! Perdeu, PT!

Algemas e CADEIA neles todos!!!


Tempos sombrios, tempos petistas


Estadão - 11 de novembro de 2012 

Tempos sombrios, tempos petistas


Luiz Inácio Lula da Silva está calado. O que é bom, muito bom. Não mais repetiu que o mensalão foi uma farsa. Também, pudera, após mais de três meses de julgamento público, transmitido pela televisão, com ampla cobertura da imprensa, mais de 50 mil páginas do processo armazenadas em 225 volumes e a condenação de 25 réus, continuar negando a existência da "sofisticada organização criminosa", de acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seria o caso de examinar o ex-presidente. Mesmo com a condenação dos seus companheiros - um deles, o seu braço direito no governo, José Dirceu, o "capitão do time", como dizia -, aparenta certa tranquilidade.
Como disse o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula é "um sujeito safo". É esperto, sagaz. Conseguiu manter o mandato, em 2005, quando em qualquer país politicamente sério um processo de impeachment deveria ter sido aberto. Foi uma manobra de mestre. Mas nada supera ter passado ao largo da Ação Penal 470, feito digno de um Pedro Malasartes do século 21.
Mas se o silêncio público (momentâneo?) de Lula é sempre bem visto, o mesmo não pode ser dito das articulações que promove nos bastidores. Uma delas foi o conselho para que Dilma Rousseff não comparecesse à posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF. Ainda bem que o bom senso vigorou e ela vai ao ato, pois é presidente da República, e não somente dos petistas. O artífice de diversas derrotas petistas na última eleição (Recife, Belo Horizonte e Campinas são apenas alguns exemplos) continua pressionando a presidente pela nomeação de um "ministro companheiro" na vaga aberta pela aposentadoria de Carlos Ayres Brito. E deve, neste caso, ser obedecido.
O ex-presidente quer se vingar do resultado do julgamento do mensalão. Nunca aceitou os limites constitucionais. Considera-se vítima, por incrível que pareça, de uma conspiração organizada por seus adversários. Acha que tribunal é partido político. Declarou recentemente que as urnas teriam inocentado os quadrilheiros. Como se urna fosse toga. Nesse papel tem apoio entusiástico do quarteto petista condenado por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Eles continuam escrevendo, dando entrevistas, participando de festas e eventos públicos, como se nada tivesse acontecido. Ou melhor, como se tivessem sido absolvidos.
O que os petistas chamam de resistência não passa de um movimento orquestrado de escárnio da Justiça. José Dirceu, considerado o chefe da quadrilha por Roberto Gurgel, tem o desplante de querer polemizar com o ministro Joaquim Barbosa, criticando seu trabalho. Como se ele e Barbosa estivessem no mesmo patamar: um não fosse condenado por corrupção ativa (nove vezes) e formação de quadrilha e o outro, o relator do processo e que vai assumir a presidência da Suprema Corte. Pior é que a imprensa cede espaço ao condenado como se ele - vejam a inversão de valores da nossa pobre República - fosse uma espécie de reserva moral da Nação. Chegou até a propor o financiamento público de campanha. Mas os petistas já não o tinham adotado?
Outro condenado, João Paulo Cunha, foi recebido com abraços, tapinhas nas costas e declarações de solidariedade pelos colegas na Câmara dos Deputados. Já José Genoino pretende assumir a cadeira de deputado assim que abrir a vaga. E como o que é ruim pode piorar, Marco Maia, presidente da Câmara, afirmou que a perda de mandato dos dois condenados é assunto que deve ser resolvido pela Casa, novamente desprezando a Constituição.
O julgamento do mensalão desnudou o Partido dos Trabalhadores (PT). Sua liderança assaltou o Estado sem pudor. Como propriedade do partido. Sem nenhum subterfúgio. Os petistas poderiam ter feito uma autocrítica diante do resultado do julgamento. Ledo engano. Nada aprenderam, como se fossem os novos Bourbons. Depois de semanas e semanas com o País ouvindo como seus dirigentes se utilizaram dos recursos públicos para fins partidários, na semana que passou Dilma (antes havia se reunido com o criador por três horas) recebeu no Palácio da Alvorada, residência oficial, para um lauto jantar, líderes do PT e do PMDB. A finalidade da reunião era um assunto de Estado? Não. Interessava apenas aos dois partidos. Fizeram uma analise das eleições municipais e traçaram planos para 2014. Ninguém, em sã consciência, é contrário a uma reunião desse tipo. O problema é que foi num prédio público e paga com dinheiro público. Imagine o leitor se tal fato ocorresse nos EUA ou na Europa. Seria um escândalo. Mas na terra descoberta por Cabral, cujas naus, logo vão dizer, tinham a estrela do PT nas velas, tudo pode. E quem protesta não passa de golpista.
Nesta República em frangalhos, resta esperar o resultado final do julgamento do mensalão. As penas devem ser exemplares. É o que o STF está sinalizando na dosimetria do núcleo publicitário. Mas a Corte sabe que não será tarefa nada fácil. O PT já está falando em controle social da mídia, nova denominação da "censura companheira". Não satisfeito, defende também o controle - observe o leitor que os petistas têm devoção pelo Estado todo-poderoso - do Judiciário (qual, para eles, deve ser a referência positiva: Cuba, Camboja ou Coreia do Norte?). Nesse ritmo, não causará estranheza o PT propor que a Praça dos Três Poderes, em Brasília, tenha somente dois edifícios... Afinal, "aquele" terceiro edifício, mais sóbrio, está criando muitos problemas.
O País aguarda o momento da definição das penas do núcleo político, especialmente do quarteto petista. Será um acerto de contas entre o golpismo e o Estado Democrático de Direito. Para o bem do Brasil, os golpistas mensaleiros perderam. Mais que perderam. Foram condenados. E serão presos.

sábado, 3 de novembro de 2012

Orfandade política

Desprezam os eleitores (jogaram 44 milhões de votos no lixo), mantêm um 'discurso' equivocado e não representam a ENORME quantidade de descontentes com os rumos da política.

Se insistirem no erro, continuarão a ser, apenas, uma oposicinha de merda...

03/11/2012

Orfandade política, por Ruy Fabiano

No início da campanha presidencial de 2010, o então senador Sérgio Guerra, numa entrevista à revista Veja, declarou que “o Serra está à esquerda do PT”.
Lula, antes, havia dito que o Brasil havia evoluído politicamente, pois todos os candidatos à presidência eram de esquerda. O fato de, na sua ótica, não haver na disputa nomes do campo conservador representava uma “evolução”.
Essa tem sido uma anomalia reincidente desde o início da redemocratização: considerar que a presença de forças conservadoras representa um retrocesso democrático.
É exatamente o contrário. O que caracteriza a democracia é a presença, com perspectiva de poder, de todas as forças que compõem o arco político-ideológico da sociedade. E a sociedade brasileira, segundo reiteradamente atestam todas as pesquisas comportamentais, é em grande parte conservadora.
Não é à toa que partidos e candidatos, no curso das campanhas eleitorais, cumprem um ritual coreográfico contrário às suas agendas doutrinárias, visitando igrejas, confraternizando com lideranças religiosas, participando de cultos aos quais são indiferentes ou mesmo profundamente críticos.
Trata-se de uma mimese dos candidatos com o único sentido de iludir o eleitor. Fingir que abraçam e defendem valores que, no entanto, abominam e contra os quais conspiram.
Por que o tema do aborto, nas eleições presidenciais, provocou tanto desconforto em Dilma Roussef? Simples: ela sabia que sua verdadeira opinião, gravada em vídeos que circulavam na internet, não correspondia à da maioria do eleitorado ao qual pedia votos. Foi preciso então que se manifestasse em sentido contrário, negando o que já afirmara reiteradas vezes.
Idem a questão do kit gay na campanha de Fernando Haddad, à prefeitura de São Paulo.
Tanto Dilma quanto Haddad sabem, pois conhecem as pesquisas, que a maioria do povo brasileiro é contra ambas as iniciativas. Não cabe aqui analisá-las.
Importa registrar que são repudiadas pela maioria da sociedade. Como não há voz partidária que se oponha a esses temas, os próprios mentores daquelas propostas incumbem-se de desmenti-las ao público, sem prejuízo de, depois de eleitos, as implementarem.
Em suma, a esquerda assume o discurso que, em circunstâncias normais, deveria caber aos conservadores.
O PSDB padece de uma esquizofrenia, que o tem levado a sucessivas derrotas: quer se opor ao PT com a mesma agenda do PT. Não conseguirá. O discurso de esquerda, no Brasil, já tem dono.
Os tucanos querem os votos conservadores, mas não ousam assumir, mesmo parcialmente, suas propostas, pelo temor – já uma paranoia – de vir a ser chamado de “direita”.
O resultado é que não ganham os votos da esquerda – hoje quase monopólio do PT – e deixam de ganhar votos no campo conservador. Em São Paulo, historicamente, um terço votava no PT, outro terço no PSDB e o terço restante decidia a eleição.
Celso Russomano, que chegou a ostentar mais de 45% nas pesquisas, perdeu porque não resistiu à desconstrução moral que tucanos e petistas lhe impuseram – e que se encaixou no seu breve currículo político.
Mas seus votos não migraram para nenhum dos dois: Haddad foi eleito com pouco mais de um terço dos que estavam aptos a votar; Serra ficou abaixo do terço histórico - e o restante não votou em ninguém.
São órfãos políticos. Fernando Henrique disse que o PSDB precisa se renovar. Não se trata, porém, de providenciar candidatos mais jovens. Se estivesse no lugar de Serra, com o mesmo discurso, um candidato com metade de sua idade, seria derrotado.
Em política, o novo não está na idade. Nero, com trinta anos, tocou fogo em Roma; Adenauer, com noventa anos, reconstruiu a Alemanha pós-Hitler. Sem falar em Churchill, De Gaulle ou mesmo Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, arquitetos da redemocratização brasileira, todos mais que septuagenários quando protagonistas de mudanças históricas.
O que importa é o discurso programático. Enquanto o PSDB insistir em ser o PT, em estar à sua esquerda, não passará ao público uma mensagem alternativa, nem muito menos convincente.
Será refém do discurso do adversário e de uma agenda que já tem dono. É preciso audácia para quebrar paradigmas. Vejamos se os tucanos (ou algum outro partido) a terão. Assunto e eleitor não lhes faltarão.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A condenação do PT


A condenação do PT
por Marco Antonio Villa* 

O único projeto da aristocracia petista — conservadora, oportunista e reacionária — é de se perpetuar no poder
O julgamento do mensalão atingiu duramente o Partido dos Trabalhadores. As revelações acabaram por enterrar definitivamente o figurino construído ao longo de décadas de um partido ético, republicano e defensor dos mais pobres. Agora é possível entender as razões da sua liderança de tentar, por todos os meios, impedir a realização do julgamento. Não queriam a publicização das práticas criminosas, das reuniões clandestinas, algumas delas ocorridas no interior do próprio Palácio do Planalto, caso único na história brasileira.

Muito distante das pesquisas acadêmicas — instrumentalizadas por petistas — e, portanto, mais próximos da realidade, os ministros do STF acertaram na mosca ao definir a liderança petista, em 2005, como uma sofisticada organização criminosa e que, no entender do ministro Joaquim Barbosa, tinha como chefe José Dirceu, ex-presidente do PT e ministro da Casa Civil de Lula. Segundo o ministro Celso de Mello: “Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder.” E concluiu: “É macrodelinquência governamental.” O presidente Ayres Brito foi direto: “É continuísmo governamental. É golpe.”

O julgamento do mensalão desnudou o PT, daí o ódio dos seus fanáticos militantes com a Suprema Corte e, principalmente, contra o que eles consideram os “ministros traidores”, isto é, aqueles que julgaram segundo os autos do processo e não de acordo com as determinações emanadas da direção partidária. Como estão acostumados a lotear as funções públicas, até hoje não entenderam o significado da existência de três poderes independentes e, mais ainda, o que é ser ministro do STF. Para eles, especialmente Lula, ministro da Suprema Corte é cargo de confiança, como os milhares criados pelo partido desde 2003. Daí que já começaram a fazer campanha para que os próximos nomeados, a começar do substituto de Ayres Brito, sejam somente aqueles de absoluta confiança do PT, uma espécie de ministro companheiro. E assim, sucessivamente, até conseguirem ter um STF absolutamente sob controle partidário.

A recepção da liderança às condenações demonstra como os petistas têm uma enorme dificuldade de conviver com a democracia. Primeiramente, logo após a eclosão do escândalo, Lula pediu desculpas em pronunciamento por rede nacional. No final do governo mudou de opinião: iria investigar o que aconteceu, sem explicar como e com quais instrumentos, pois seria um ex-presidente. Em 2011 apresentou uma terceira explicação: tudo era uma farsa, não tinha existido o mensalão. Agora apresentou uma quarta versão: disse que foi absolvido pelas urnas — um ato falho, registre-se, pois não eram um dos réus do processo. Ao associar uma simples eleição com um julgamento demonstrou mais uma vez o seu desconhecimento do funcionamento das instituições — registre-se que, em todas estas versões, Lula sempre contou com o beneplácito dos intelectuais chapas-brancas para ecoar sua fala.

As lideranças condenadas pelo STF insistem em dizer que o partido tem que manter seu projeto estratégico. Qual? O socialismo foi abandonado e faz muito tempo. A retórica anticapitalista é reservada para os bate-papos nostálgicos de suas velhas lideranças, assim como fazem parte do passado o uso das indefectíveis bolsas de couro, as sandálias, as roupas desalinhadas e a barba por fazer. A única revolução petista foi na aparência das suas lideranças. O look guevarista foi abandonado. Ficou reservado somente à base partidária. A direção, como eles próprios diriam em 1980, “se aburguesou”. Vestem roupas caras, fizeram plásticas, aplicam botox a três por quatro. Só frequentam restaurantes caros e a cachaça foi substituída pelo uísque e o vinho, sempre importados, claro.

O único projeto da aristocracia petista — conservadora, oportunista e reacionária — é de se perpetuar no poder. Para isso precisa contar com uma sociedade civil amorfa, invertebrada. Não é acidental que passaram a falar em controle social da imprensa e... do Judiciário. Sabem que a imprensa e o Judiciário acabaram se tornando, mesmo sem o querer, nos maiores obstáculos à ditadura de novo tipo que almejam criar, dada ausência de uma oposição político-partidária.

A estratégia petista conta com o apoio do que há de pior no Brasil. É uma associação entre políticos corruptos, empresários inescrupulosos e oportunistas de todos os tipos. O que os une é o desejo de saquear o Estado. O PT acabou virando o instrumento de uma burguesia predatória, que sobrevive graças às benesses do Estado. De uma burguesia corrupta que, no fundo, odeia o capitalismo e a concorrência. E que encontrou no partido — depois de um século de desencontros, namorando os militares e setores políticos ultraconservadores — o melhor instrumento para a manutenção e expansão dos seus interesses. Não deram nenhum passo atrás na defesa dos seus interesses de classe. Ficaram onde sempre estiveram. Quem se movimentou em direção a eles foi o PT.
Vivemos uma quadra muito difícil. Remar contra a corrente não é tarefa das mais fáceis. As hordas governistas estão sempre prontas para calar seus adversários.

Mas as decisões do STF dão um alento, uma esperança, de que é possível imaginar uma república em que os valores predominantes não sejam o da malandragem e da corrupção, onde o desrespeito à coisa pública é uma espécie de lema governamental e a mala recheada de dinheiro roubado do Erário tenha se transformado em símbolo nacional.

*Marco Antonio Villa é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Justiça!


Um prenúncio de novos tempos?

Fotografada ontem, 9 de outubro de 2012
(dia histórico da condenação de Dirceu, Genoino e Delúbio - Mensalão)

Estátua da Justiça, em Brasília (Foto: Orlando Brito)

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