quarta-feira, 17 de junho de 2009

A defesa de Sarney (?)

Sua Excelência não convenceu

por Lúcia Hippólito

Muito nervoso, maltratando a língua portuguesa, o presidente do Senado, senador José Sarney, foi à tribuna para se defender das críticas, segundo ele, muito injustas, que não respeitam sua biografia.

Não convenceu. Listou vários fatos de sua biografia. Falou dos 50 anos de vida pública, misturou fatos ocorridos durante a ditadura com ações suas na presidência da República.

Eximiu-se de toda e qualquer responsabilidade pela desmoralização completa por que passa o Senado da República. Repetiu inúmeras vezes que a crise não é dele, é do Senado.

Lamento, mas o senador José Sarney é o maior responsável pela crise.

Não se trata de desmentir ou de apagar a biografia do nobre parlamentar. Longe disso. Quem reescrevia o passado eram os historiadores soviéticos. A história de José Sarney é bem conhecida.

O que há de mais curioso a ressaltar no discurso de quase meia hora é a total falta de compromisso de José Sarney com os últimos dez ou 15 anos da história do Senado. Sarney discursou como se tivesse chegado ontem à presidência da Casa.

Como se não estivesse presidindo o Senado pela terceira vez. Como se não fosse pessoalmente responsável pela criação de cerca de 50 das 181 diretorias recém-descobertas na Casa.

Como se não fosse pessoalmente responsável pela nomeação de Agaciel Maia como diretor-geral do Senado. Como se não tivesse legitimado uma série de atos de Agaciel Maia e do diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi.

Não é trivial privatizar o Senado da forma como o Senador José Sarney o fez. Tinha até outro dia um neto e duas sobrinhas empregados. Recebia auxílio-moradia tendo residência particular em Brasília e tendo à sua disposição, desde fevereiro, a residência oficial do Senado.

Sua estrategista de campanha era também diretora do Senado. Exonerada para fazer campanha, teve a exoneação cancelada (tudo através de documentos sigilosos).

Sua casa em São Luis era protegida por seguranças do Senado... embora ele seja senador pelo Amapá.

Semana passada, sua Excelência foi padrinho de casamento da filha de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado. Que agora, depois de prestar relevantes serviços ao senador Sarney, está sendo jogado às feras. Pelo senador Sarney.

O senador José Sarney não tem direito de afirmar que a crise não é dele.

Quando tenta diluir a crise do Senado brasileiro na crise de representação mais geral, que acontece em muitos parlamentos do mundo, o senador tenta uma manobra esperta.

É verdade que há crise em outros países, mas lá os parlamentares renunciam, pedem desculpas públicas, devolvem o dinheiro desviado. Alguns até se matam.

Não se espera nenhuma atitude radical por parte do senador Sarney. Nem mesmo a renúncia à presidência do Senado virá por livre e espontânea vontade.

Mas o clima de rebelião entre os funcionários do Senado é evidente. A forte reação da opinião pública também.

Uma vez o senador José Sarney contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer um diagnóstico da situação do Senado e propor medidas. Deu certo. Nada aconteceu.

Desta vez, repetiu a manobra. Mas suspeito muito de que não vai funcionar.

Os tempos são outros, Excelência.

do blog de Lúcia Hippólito

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Um comentário:

Wagner disse...

CASTIGO!
Bota a sogra do Sarney no Senado!

Ciro Botelho

Tá no ar o blog do Colunático! O blog do Ciro Botelho Pinto!
Adorei o discurso do Sarney! Parecia mecânico explicando orçamento! E o meu vizinho me disse que tá desempregado. QUEM MANDOU NÃO SER PARENTE DO SARNEY?! E eu tô lançando uma enquete: "Qual a melhor punição pro Sarney?"
1-) Depila o bigode dele.
2-) Corta o pingolim dele!
3-) Obriga o Sarney a ler Marimbondos de Fogo.
4-) Bota a sogra do Sarney no Senado!
Esse seria o pior castigo: ter que trabalhar ao lado da sogra. Quer empregar parente? Então vai ter que trabalhar ao lado da jararaca! E o Brasil inteiro perdoa o Sarney, desde que ele não escreva mais nenhum livro. Aliás, vou mandar um email pro Sarney: "Sarney, você pode empregar quem quiser, mas pelo amor de Deus depila esse bigode e não escreve mais nada até 2020! E atenção, internautas! O Lula tá na Rússia!? Avisa pro Lula que a situação tá russa! A situação tá RUSSA e eu tô PUTIN da vida. E sabe como se fala LULA em russo? TOMANOV SMIRNOFF! O Lula devia adotar esse nome russo: "Tomanov Smirnoff." Mas a melhor do dia foi o Barack Obama matando uma mosca! Pá, pá! Bem que ele podia vir ao Brasil matar o mosquito da dengue! Já imaginou a manchete: "Obama mata mosquito da dengue." E continua a dúvida no Jornal Nacional: "Quem jogou bomba na Parada Gay?" Eu acho que foi o primo do Bin Laden, o Min Raben. Min Raben, a bicha-bomba de Bagdá! E por falar em bomba, o que o Serra foi fazer na Parada Gay? ASSUSTAR AS BIBAS! O Serra continua com aquele olhar de peixe morto e testa de bater bife! Vai ser feio assim lá na Parada Gay!Como comentou o Simão: "Era Dia das Bibas, não era Dia das Bruxas." E pra terminar, um poema em homenagem ao Lula da Silva, o nosso Tomanov Smirnoff. A CACHAÇA É UM SANTO REMÉDIO! Para curar uma paixão, beba pinga com limão! Para curar sua amargura, beba pinga sem mistura. Contra dor de cotovelo, beba cachaça com gelo! Contra falta de carinho, cachaça, cerveja e vinho! Quem dá amor e não recebe, mistura todas e bebe! E se a vida não tem graça, encha a cara de cachaça!!!!!!