
Calheiros aproveitou os seus apartes para atacar Simon de um modo grotesco, fazendo ilações sobre o seu passado, acusando supostas irregularidades que ele teria cometido quando ministro da Agricultura — sem, evidentemente, apresentar evidência ou prova. Ao mesmo tempo, acusava as injustiças de que ele próprio teria sido vítima quando foi obrigado a renunciar à Presidência do Senado. E dizia com a boca cheia: “Apresentei todas as explicações que me foram pedidas”. Alguém sabe, até hoje, por que era uma empreiteira que pagava a pensão de um filho que ele teve fora do casamento — só para lembrar o aspecto mais incomum de sua biografia?
Mas o grande momento foi mesmo de Collor. Os cabelos mudaram, estão mais brancos, mas a voz e a grosseria de que é capaz continuam rigorosamente as mesmas. Num aparte a Pedro Simon, lá se foi todo o cavalheirismo que tentava afetar desde seu retorno à política, e mandou o senador “engolir suas palavras”. Era o velho jovem Collor. Dêem-lhe um pouco de poder e visibilidade, e lá está ele tentando mostrar que tem “aquilo roxo”. Convidado amigavelmente por outros senadores a retirar a ofensa, tomou a palavra, disse que não retirava coisa nenhuma, evitando até mesmo falar o nome de Simon — chamava-o de “aquele que me precedeu”. E fez a mais enfática e absoluta defesa de José Sarney. "
Veio-lhe à lembrança, ao ver os olhares e atitude agressiva do bufão, a cena de tiroteio protagonizada pelo pai de Collor.
Simon diz que teve medo do olhar de Collor
De Maria Lima, de O Globo:
Um dia depois de enfrentar a ira da dupla Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL) no plenário, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) confessou nesta terça-feira que teve medo do olhar transtornado do ex-presidente da República, que durante as quase duas horas de embate, ficou logo abaixo da tribuna olhando diretamente em sua direção, com o semblante muito crispado.
Ele disse que em vários momentos lhe passou na memória a cena da tragédia que abalou Brasília na década de 60, quando o pai de Collor, o então senador Arnon de Mello, assassinou, com um tiro no peito, o senador acreano José Kairala, em plena tribuna.
Segundo os registros da época, o senador alagoano disparou três tiros contra seu inimigo político, o senador Silvestre Péricles, a 5 metros de distância.
Errou todos, mas atingiu sem querer Kairala, suplente que estava em seu último dia de mandato. Apesar do flagrante, a imunidade de Arnon de Mello o livrou de qualquer punição.
- É incrível! Me veio a imagem do pai dele, que atirou e matou o senador Kairala. Foi assustador, saia fogo dos olhos do senador Fernando Collor ali logo embaixo de mim. E eu não falei nada de mais dele, quando vi ele entrou correndo, completamente transtornado ! - lembrou Simon.


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