
sábado, 9 de janeiro de 2010
Mousse de Chocolate

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
FAB - Militares x Terroristas

Transcrito do blog de Cláudio Lessa - originalmente AQUI
Você quer ver um exemplo de jornalismo doidão, quando o tema principal é a falta de assunto? Então, vamos lá. O quadro, na rádio CBN, se chama “Dia a Dia da Economia, com Miriam Leitão”. O apresentador Heródoto Barbeiro pergunta a ela sobre a confusão em torno dos caças da FAB. A jornalista, claramente, não tem fato novo algum para noticiar. Depois de requentar o noticiário dos últimos dias – o qual refere-se, basicamente, ao fato de que a FAB prefere os aviões suecos em detrimento dos franceses e americanos (o que cria uma saia justíssima para o desgoverno, que já havia manifestado interesse pelos franceses) – ela resolve unir dentro da mesma panela os dois contratempos de Lulla com seus ministros da área militar (direitos humanos e aviões).

Isso não deixa de fazer sentido jornalístico, mas a “economia” continua passando longe. Depois de deitar mais falação, e agora travestida de juíza, Miriam Leitão dá seu veredito: no caso dos direitos humanos, os militares estão completamente errados. No caso dos aviões, os militares têm que ser ouvidos.
Miriam Leitão está errada e meia. Por quê? Porque no caso dos direitos humanos, ao contrário do que ela afirmou no rádio – isolando a responsabilidade pelos excessos na área de violação dos direitos humanos a um só lado, o dos quartéis – os dois lados cometeram abusos, e abusos grandes. Muita gente inocente morreu por causa disso. Dos dois lados. E quando a “anistia ampla, geral e irrestrita” veio, ela veio para os dois lados. O objetivo era zerar a conta dos dois lados. Dos dois lados.

Quando ela usa o espaço da “economia” para fazer jornalismo opinativo e deixar a economia lá longe, é um direito dela (se a CBN acha correto), mas é preciso equilíbrio. Quer dizer que o Brasil é o único país da América Latrina que não examinou seu passado ditatorial? OK, vamos examinar, então. Mas é preciso isenção para examinar. E é preciso examinar o que ocorreu dos dois lados, não apenas do lado militar. É para revelar nomes e locais e circunstâncias de desaparecimento de pessoas envolvidas na luta contra a ditadura? Perfeitamente. Mas é preciso que isso ocorra dos dois lados. Os militares contam o que sabem, mostram os documentos que têm, e os terroristas também. Analisam-se os erros, os livros de História registram o período, e a Nação – pacificada de vez após enfrentar seu passado – segue em frente. A turbulência ficou para trás, e agora ex-inimigos seguem juntos para enfrentar os novos desafios que surgem no continuado processo de construção de um grande país.

Qual é o problema? Aparentemente, nenhum. Exceto que os terroristas de ontem são o governo de hoje, auxiliados por oportunistas de todos os lados. Uma terrorista, ladra, falsificadora de diplomas e potencial assassina, por exemplo, é o principal nome do desgoverno para suceder o atual ocupante do Planalto. Há isenção? Há clima? Não. Fica clara, então, a pressão da “esquerda” rançosa, a “esquerda burra”, aquela que ainda não desencarnou dos anos 60, que deseja montar tribunais de esquina para julgar e condenar seus antigos algozes. Aliás, esse tipo de bravata, em ano eleitoral, é lindo. Por outro lado, não se deve esquecer que a própria Miriam Leitão tem um pequeno grande interesse pessoal nessa questão, já que teria sido agredida pelas forças da ditadura quando jovem militante. Há isenção? Não. E fica a pergunta? É para examinar, estudar e aprender com os erros do passado, ou… julgar? Se é para julgar, é preciso julgar os dois lados – milicos e terroristas. Atenção: se julgar for a opção, corre-se o risco de liquefazer o atual desgoverno, aparelhado até a medula. A “pré-candidata”, por exemplo, seria uma das primeiras a ter que se sentar no banco dos réus, despedaçando o processo eleitoral em curso.

No caso dos direitos humanos, portanto, Miriam Leitão está errada. Já no caso dos caças da FAB, Miriam Leitão está meio errada simplesmente por proferir seu veredito com certo desdém na voz. Sim, ela afirma que os militares têm que ser ouvidos – mas diz isso como se fosse necessário fazer uma mera concessão aos quartéis, quebrar o galho dos militares nessa parada. Não. É precisodizer, com todas as letras e com firmeza (e não com desdém na voz), que essa decisão – aliás, uma decisão completamente inócua e perdulária por parte deste ou qualquer outro governo – é técnica por excelência (daí a necessidade de se ouvir a Aeronáutica, que no fim das contas vai voar com o diabo do avião), não envolve qualquer esquema de parceria estratégica ou política, e que a decisão final (por parte do presidente) não pode se desviar desses parâmetros. Qualquer “disposição em contrário” é responsabilidade total e completa do presidente. E, vamos e venhamos: se dentro das CNTP um presidente já não tem condições de decidir sobre um complicado assunto desses, imagine com o atual. Em outras palavras: qualquer decisão que não siga estritamente a recomendação da área técnica específica deve jogar toda a responsabilidade nos ombros de quem está sentado no Planalto. Sem divisão, sem cortina de fumaça.
(por Cláudio Lessa)
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Leia também:
"Srs Ministros Tarso Genro, Paulo Vannuchi, Dilma Rousseff, Franklin Martins e outros que estão fazendo um "permanente esforço" para mostrar à sociedade a história recente do país e de seus camaradas de luta armada. Na série Projeto Orvil, os diligentes revisores da história poderão encontrar sugestões de nomes e fatos que precisam ser acrescentados ao Portal Memórias Reveladas ( que nada revela sobre os crimes "dos que lutaram pela democracia") e, agora, para dar subsídios à Comissão da Verdade e da Reconciliação
sábado, 2 de janeiro de 2010
A crise militar que não houve

A CRISE MILITAR QUE NÃO HOUVE
31 de dezembro de 2009
As esquerdas brasileiras sempre souberam que seu inimigo jurado de morte são as Forças Armadas. Por elas foram derrotadas em todas as vezes que quiseram medir forças, como em 1935, 1964 e anos subseqüentes. As Forças Armadas são a única organização capaz de lhes fazer frente, não apenas no plano militar propriamente dito, mas também no plano ideológico. Os “milicos” encarnam a Nação, têm história longa, confundem-se com a Independência e a unidade nacional; têm tradição que cultivam e também seu próprio sistema de formação de quadros, até agora impermeável à catequização comunista.
Desde que triunfaram utilizando os métodos de Gramsci que as esquerdas cercam seu maior inimigo, ora adulando, ora ignorando, ora provocando escaramuças para saber até onde vai o pavio das Forças Armadas. A aproximação do fim do mandato de Lula, que tentaram por todos os meios prolongar, fez com que se precipitasse o embate mais afoito. Essa tentativa de rever a Lei de Anistia é oRubicão que não pode ser cruzado. Elas sabem disso, mas encontram-se em um impasse estratégico: estão em seu melhor momento histórico para dar o bote totalitário, mas desconfiam que não acumularam força suficiente para degolar o inimigo.
Seu balanço de poder é muito favorável: têm a Presidência da República, têm a opinião pública, os empresários estão inermes a seus pés, dependentes de recursos financeiros e de alivio da fiscalização estatal, cujo garrote vil foi apertado ao limite nas últimas décadas. Têm o sistema de ensino e os meios de comunicação, que estão em processo de domínio total depois da realização da Confecom. Têm apoios internacionais de que nunca dispuseram. Têm milícias em todos os recantos do país, a começar pelo MST. Têm as universidades, as igrejas, o meio editorial, o imenso funcionalismo público, por elas inflado criminosamente nas últimas décadas. Têm os sindicatos e os fundos de pensão.
Para ter o poder total as esquerdas só precisam mesmo conquistar as Forças Armadas, isto é, capacidade militar e organização. Essa é sua fraqueza congênita e por isso, desde a origem, tentaram o golpe de Estado, para controlar os “milicos” desde cima. Até agora falharam no intento. As Forças Armadas, para alívio da Nação, continuam sendo o esteio da nacionalidade e o instrumento garantidor das liberdades. Os inimigos traiçoeiros, apesar do tempo que dispuseram, dos recursos, das patranhas, das promessas populistas nunca conseguiram transpor os umbrais dos quartéis. Lá, mesmo Lula, só entram como convidadas e só falam com os comandantes, uma elite bem formada e moralmente superior, avessa ao seu proselitismo.
Lendo os editoriais de hoje dos principais jornais podemos ter três pontos de vista sobre o episódio que quase culminou com a saída de Nelson Jobim do Ministério da Defesa. O Estadão, como há muito, não tinha um posicionamento tão afirmativo e coerente com seu passado de lutas pela liberdade. Oeditorialista deixou de lado a covardia que tomou conta do jornal nos últimos tempos.Brincando com Fogo deu nomes aos bois: “A reação dos comandantes militares à tentativa mais uma vez patrocinada pelo ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, de revogar a Lei da Anistia foi enérgica e recebeu inteiro apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que há tempos vem tentando conter as iniciativas revanchistas de Vannuchi e do ministro da Justiça, Tarso Genro. As pessoas pouco afeitas aos fatos ligados à repressão política, durante os governos militares, e que somente tomem conhecimento das iniciativas daquela dupla de ministros certamente terão a impressão de que os quartéis, na atualidade, estão cheios de torturadores e as Forças Armadas são dirigidas por liberticidas. Nada mais falso”.
E mais disse: “Para os militares, é ponto de honra que a Lei da Anistia permaneça em vigor, nos termos em que foi aprovada em 1985. Entre outros motivos, porque assim se isola a instituição de uma fase histórica conflituosa, que exigiu que os militares deixassem de lado sua missão profissional tradicional e assumissem os encargos da luta contra a subversão. Isso não se fez sem prejuízos à coesão e à hierarquia das Forças Armadas. Para a Nação, a manutenção da Lei da Anistia é mais que um ponto de honra. É a garantia de que os acontecimentos daquela época não serão usados como pretexto para que se promova uma nova e mais perniciosa divisão política e ideológica da família brasileira”.
Já a Folha de São Paulo, jornal completamente tomado pelas esquerdas, tentou como sempre relativizar (Confronto vão). Ao invés de criticar o autor da proeza, o ministro Tarso Genro, faz o contrário, elogiou-o: “Foi acertada a atitude do ministro da Justiça, Tarso Genro, ao declarar que "não há nenhuma controvérsia insanável" em torno do texto do Programa Nacional de Direitos Humanos e da chamada "Comissão da Verdade", destinada a apurar os casos de tortura e de desaparecimento de presos políticos durante o regime militar. É legítima qualquer investigação histórica sobre esse período, durante o qual crimes foram cometidos pelos dois lados em conflito”.
Ora, foi precisamente o rei da República petista de Santa Maria quem cutucou a onça com vara curta, ele que aparelhou a Polícia Federal para ser uma espécie de polícia política, contra todos os inimigos. Ela só não é eficaz contra os “milicos”. Nos quartéis não tem dinheiro na cueca, nem negociatas, nem insidiosas transações que atraiçoam os brasileiros. Tem gente de escol, de moral superior. E tem armas. Lá sua jurisdição não alcança. A Folha de São Paulo, como sempre, mentiu e enganou os seus leitores, se alinhando com as esquerdas revolucionárias.
O editorial de O Globo preferiu desvincular a figura de Lula da crise (Revanchismo): “A conhecida ambiguidade do presidente Lula deriva de uma característica da montagem do seu governo, uma estrutura sem unidade, composta de capitanias hereditárias, sob controle de agrupamentos políticos de tendências disparatadas”.Ora, Lula não foi ambíguo de jeito nenhum, publicou o decreto e só deu um passo atrás porque viu que os homens em armas não estão para brincadeira. Os “milicos” não vão tolerar esse tipo de provocação e por isso Lula teve que enfiar a viola no saco e mandar seu Sinistro da Justiça calar o bico. Lula está na linha de frente da conversão do Brasil em uma sociedade comunista e não cabe mais a idéia de que não sabe o que seus ministros fazem, sobretudo aqueles encarregados de levar à frente o projeto revolucionário.
Lula foi realista e fez a parte que lhe cabe, de recuar, mas o realismo não o isenta de ter endossado a iniciativa insana.
Não houve crise militar, houve uma escaramuça, uma simples medição de força. As esquerdas perderam a rodada, mas elas nunca desistem. Voltarão. Uma crise militar de verdade tiraria Lula do poder em horas. As esquerdas já viram esse filme antes. Espero que elas paguem para ver. Elas estão impacientes e não querem mais aguardar o tempo de dar o bote certo. Crise militar de verdade teve em 1935 e em 1964, quando os Guardas da Pátria fizeram o que precisava ser feito: vencer os degenerados.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
A conta da festa
Texto de Guilherme FiuzaAlguém aí tem 140 bilhões de reais para emprestar? Não é um jeito muito simpático de começar 2010, mas é que o presidente da República deixou essa pendura para vocês.
O rombo nas contas públicas em 2009 cresceu módicos 278%. É a fartura postiça do Plano Dilma. Postiça como o próprio plano, como a própria Dilma e suas verdades de ocasião.
Mas não haverá problema. O Datafolha acaba de apontar Lula como o brasileiro mais confiável. Emprestem, portanto, esse dinheiro a ele. Deus lhes pague (sem recibo, que isso não se usa mais).
Se Deus der calote, não adianta cobrar de Lula. Os dois hoje são praticamente a mesma pessoa. Aí é rezar para Santa Edwiges.
Ou então para São Judas Tadeu, padroeiro das causas impossíveis. Ele vai dar um jeito de fazer com que essa conta feche. E com que o filho do Brasil (já em cartaz!) e sua enteada continuem distribuindo dinheiro de graça por aí, empregando a companheirada toda, e anunciando o final feliz mais barato da história.
O brasileiro é um povo consciente. Se Lula é aclamado como a pessoa mais confiável do país, provavelmente já está vigorando a lei do almoço grátis. Empanturre-se à vontade.
Não precisa enfiar a mão no bolso para pagar o banquete de 140 bilhões. Deixe que Lula faz isso por você, do jeitinho de sempre: aumenta mais um poquinho a Cide, a Cofins e outras sopas de letrinhas que você nem nota no cardápio; segura sua restituição de imposto e aplica no mercado financeiro; diminui o superávit e joga dívida para depois de amanhã, que ele não vai mais estar aí mesmo; deixa as linhas de transmissão de energia como estão e negocia um cessar-fogo com São Pedro.



